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terça-feira, 15 de abril de 2008

Mário Quintana - Ah! Os relógios

Amigos, não consultem os relógios
quando um dia eu me for de vossas vidas
em seus fúteis problemas tão perdidas
que até parecem mais uns necrológios...

Porque o tempo é uma invenção da morte:
não o conhece a vida - a verdadeira -
em que basta um momento de poesia
para nos dar a eternidade inteira.

Inteira, sim, porque essa vida eterna
somente por si mesma é dividida:
não cabe, a cada qual, uma porção.
E os Anjos entreolham-se espantados
quando alguém - ao voltar a si da vida -
acaso lhes indaga que horas são...

quinta-feira, 10 de abril de 2008

A bacanal

Gente! Penso muito, o dia todo, principalmente em textos, livros, poemas, prosas, palavras. É meu vício e graças a Deus minha profissão. Esses dias estava pensando em um texto que estudei na faculdade (deve ter sido em Semiótica) e que achei fantástico, e que numa dessas mudanças de casa da vida joguei fora por engano e nunca mais li.
Era um texto em que todas as palavras eram escritas apenas com a vogal A e se chama A BACANAL. Pelo título nota-se que o texto tem conotação erótica, mas é engraçado e surpreendente, pois a autora conseguiu contar uma história sem usar qualquer outra palavra que tivesse as outras vogais, apenas tinham palavras com A.
Como hoje a internet é tudo na vida, achei o texto, l0l0l0l0l0l0l0l0l0l0l0l0. Compartilho ele com vocês. É um conto, um pouco longo mas vale a pena ver esta obra prima.
Se alguém tiver mais algum texto "bacana, manda já"! rss


A Bacanal
por Samantha Las Casas

Hall da fama, bar trash da pacata Araxá, agradava a cambada chapada – Mara, Jarbas, Max, Jack. Mara, a sapata, atacava a danada da garrafa de cachaça: “Marvada!”, grasnava. Jack traçava Plazas a largas tragadas; mascava Adams.
Graça, a mana da Mara, arrastava as amplas ancas às palmas da cambada. Max apalpava a safada às gargalhadas. A Brahma grassava. Baratas passavam na calçada, mas a manada sambava, lambava, dançava tchans, trajava abadás laranja. Cá pra lá, lá pra cá, Carnaval – as danças pagãs abrasavam a calma da lama d’Araxá, alavancavam a sanha das massas. Cansada da cana barata, a assanhada Mara (da tanga prata), Bagdá já pra lá, brada: – Basta! Basta! Pra casa da Graça! – Pra já! À casa da Graça – clamava a cambada, farta das cartas marcadas, da falta da grana, da sanha parca da falsa farra. – Bacanal na casa da Graça! Rá rá rá! – babava a manada.
A casa da Graça, chácara clara à la Casablanca, jaz afastada da farra, mas, às calçadas, Caravans, Ladas, Kas, Pampas vans bastavam. A caravana zarpara. Jarbas mascava Sandra, a mal-amada. Jack Azarava a tal Amanda, a acanhada, dada a Fanta laranja, a chá, a tâmaras. “Barbada! Naba na aranha!” – Jack, canalha, rangava na alma as ancas da tal gata. Graça, mascarada, arrastava a carapaça na grama, amassava a calça na lama da casa. Lá, na casa, a janta acabara. A babá anã, calva, fanha, gaga, manca, parda, armava as alvas camas. Achara na cama a mancha rara: a ama, tarada, sangrara! “Aplacara-a Jack”, achava a babá. “Satanás! Satanás!” Mas: abracadabra! Já na casa, a manada alarmava a babá, atazanada. A alma malsã da ama armava altas baladas. Bradavam: “Às camas! Às camas!” Chamavam Satã, Pã, Zapata, Karl Marx, Franz Kafka. A babá anã, atarantada, zanzava, arrastava a tamanca. A cambada avançava. Tavam c’a macaca. Max dava palmadas nas ancas da Clara. “Vagaba! Vagaba!” A Clara agradava: “Ranga, rapaz! Ranga!”
Max acatava, acasalava c’a Clara na varanda da casa. Jazz, salsa, valsa, ska – altas danças arrastavam a farsa. Cantavam Frank Zappa, Abba, Santana, Paralamas. Já afagavam as mamas das manas – alçavam as nabas. Jarbas na sala (mala!) atrapalhava a Graça a transar c’Alan. Na cama, Sandra agachada: vara na garganta. A gravata amarrava-a na cara, aplacava a asma da magra danada. “Atrás! Avança, atrás! Avança, rasga, rasga!”, bradava a tarada. Rafa, bamba, ás das façanhas, atacava a danada, ganhava a batalha; arfava. Max, atrás, rangava Frank, rasgava a cabaça. Arrasava-a. Frank clamava: Mad Max! What a man!, largava a franga. Sandra amava Frank; zangava amarga c’a cavalgada: “Babaca! Babaca!” Hall: Alan aplacava a tara anal da Sasha, mandava a vara na dama abastada. Afã às pampas, Sasha amava, cavalgava pacas.
Acabara: Sasha cagava na alva cara d’Alan, avacalhava. Atrás da casa, na cabana, Abdala arfava. Ramadã acabara; gastava a tara na Alba, carcava-a, clamava: –“Alá!” –Aaaahhh!!! – lançara a rajada branca na cara da Alba. Pasmada, a babá anã sacava a bacanal da sacada da sala. Parva, agarrava a Santa, chamava: “Ma santa! Ma santa!” A farra carnal da ama saltava às barbas.
Na rampa da casa, Frank flagrara a babá na sacada da sala. Chamava a manada: “A babá! Na sacada!” –A babá anã! A manca sarada! –A anã parda! Amarra!! –Papa a gaga! Graça tratava d’ampará-la: –Nada da babá! Carta branca pra anã! Mas avançaram na casa: amavam anãs. Amarraram-na, atacaram: Rafa na chavasca, Frank atrás. Gargalhavam: “Ranga a vaca! Arrasa! Achata a anã, amassa!” A babá, amarrada, balançava arrasada, agachada na marra, mas... zás-trás! Alcançara a graça. “Saravá! Saravá!” – lavara a alma. Na sala, nas camas, na mansarada... passavam as badaladas, mas a bacanal, assaz assanhada, avançava, tal as safadas chanchadas. A anã, maltradada, apagara. A malvada cambada ralava a pança da babá, falava: “Tava na arca! Tranca a baranga na canastra!” –Vá, Jack, abra! –Arranca a tranca! Taca na arca! –A tranca da arca arrancada, agarraram a anã – mas tan tan tan tan!!!... “Há grana na arca!” Acharam a grana! A grana trancada, cash, la plata, a grana rara da Clara! “Farra! Farra! Afana a grana da arca!” – já clamava a canalha. Mas, Clara, tal arara: –Mancada! Nada da farra! Nã nã nã nã nã! –Azar! Grana achada, nada afanada! – achava a malandra manada. –Pára! – bradava Clara. –A grana sagrada! Nada gastada! Batalhada! –Camaradas! Rachar a grana da arca c’as massa! – falava a Mara, Marx na alma. –Afana! Gasta a grana! Cata a Canastra! – chamava Jack. –Palhaçada! – ralhava Clara, zangada. –Vá garfar a grana da mama, ratazana! –Gasta a Grana! Champanha! Champanha pra cambada!!! –Batalharás nas armas para gastá-la, Jack – Max avançava. –Panaca! – Jack saltara: gravata. Apanhava, já armas brancas – faca, adagas, navalhas. Alan atacava; tal praga, a bagarra alastrava. Varas, clavas, lanças, tralhas, zarabatanas abrasavam a batalha. Palmadas, tacadas, machadadas – na casa, nada calma, nada pacata, as almas sangravam. A algazarra avançava; rasgavam, matavam, apanhavam.
Mas Jarbas parara, sacara a arca largada às traças. Nada falaz, a cara lavada, açambarcara a grana da arca. Trapaça. Caçava a anã; tramava raptá-la, zarpar c’a grana. “Caracas? Rabat? Havana? Praga? – Maracangalha!” Arrasavam a chácara. Avassalaram a sala, rasgaram a cama, amassaram a mandala, atacaram a fachada a bala, assaram as cabras. Caparam Frank. A facada fatal acabara c’Amanda: apagada, sangrava. Jack arfava, a maçã da cara ralada. A manhã já cavalgava; a balada acabara.
A manada, arrasada, nada falava. Babava. A babá anã, malfadada, mancava pacas. Jarbas achara-a na varanda: “Jarbas! Canalha!” “Babá! Babá amada!” Jack matara a charada: Jarbas amava a babá – a babá anã, calva, fanha, gaga, manca, parda! Abraçava-a, amparava-a. “Casará c’a anã Cascata!!” – Achava a cambada. A babá, parada na sala, calava. Mas agarra Jarbas; afaga – brada: –Às favas! Pra Pasárgada!!!

quarta-feira, 9 de abril de 2008

Dica de filme de fantasia superhiperótemo : Stardust


Olá! Voltei para dar uma dica imperdível de um filme que assisti na semana passada. Trata-se de Stardust - O mistério da estrela. O que amei no filme é que além de ser um filme de fantasia, no estilo Senhor do Anéis, Nárnia e A Bússola de Ouro, ele também pode ser visto por quem não curte muito o estilo. Ainda por cima, é bem melhor que estes recentes lançamentos que querem apenas encher os bolsos fazendo trilogias, ou extrapolando tudo como faz Harry Potter.

É como se fosse um retorno de A história sem fim, O feitiço de Áquila, A lenda, entre outros do mesmo gênero que assisti incansavelmente quando era criança. Queria muito ter este tipo de filme de novo, e só consegui voltar a ter aquela sensação que tinha na minha infância ao ver Stardust.

O filme foi baseado em um romance de Neil Gaiman, e tem uma história muito bem amarrada, com começo, meio e fim. Além de fantasia, ele tem aventura, romance e um humor super refinado, além de um elenco estelar, sem fazer trocadilhos.

A história se passa em dois mundos paralelos, um vilarejo chamado Wall e o reino fantástico de Stormhold, contando com uma trama que envolve uma feiticeira e um bando de príncipes homicidas que terem tomar o reino a todo o custo, perseguindo uma estrela cadente. Todos perseguem a estrela cadente, que na verdade é uma jovem, pois ela possui a fonte da juventude para a feiticeira e o colar para dar o reino a um dos irmãos.

A parte dos irmãos rende muitas gargalhadas, e Robert de Niro faz uma participação hilária e triunfal.

Tá começando a esfriar! Recomendo ver debaixo do edredon, um um balde de pipoca e catchup, coca zero e sem preocupação com horário, pois o filme tem 128 minutos, e após terminar, você ainda vai querer ficar comentando sobre ele.


Direção: Matthew Vaugh


Elenco: Charlie Cox, Ian McKellen, Sienna Miller, Henry Cavill, Peter O'Toole, Rupert Everett, Michelle Pfeiffer, Claire Danes, Sarah Alexander, Joanna Scanlan, George Innes, Robert De Niro, Ricky Gervais


Gênero : Aventura/Fantasia


Distribuidora : Paramont


Ano : 2007

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Ceguinha!

Bom dia, gente. Confesso que deixei muito o blog de lado por conta de excesso de trabalho. Mas prometo atualizar com maior freqüência possível após 11/4 (até lá estarei abarrotada de coisas). Antes disso, vou fazer o meu melhor.
Recebi agora a pouco por e-mail do meu colega jornalista Antonio Carlos, lá de Brasília ( que escreve todos os dias no site que eu edito), este vídeo super engraçado. Como já comentei em um dos primeiros posts do blog, admiro muito esses vídeos criativos que saem das mentes loucas publicitários. Veja o que você acha.
Beijos e boa quarta-feiraquecomeçaaficarcinzanoiníciodeoutono!

segunda-feira, 24 de março de 2008

A cura de Schopenhauer


Oi, pessoal.

Confesso para vocês que nunca fiz terapia, nunca pensei em fazer e acho mesmo que nunca faça. Estou dizendo isso por causa de um livro que li neste feriado e me despertou para este tema. Chama-se A cura de Schopenhauer, do escritor Irvin Yalom, o mesmo de Quando Nietzsche chorou. Este último não li, mas já vi o filme. Minha opinião? Acho que o livro deve ser melhor, mas prefiro ler Nietzsche na essência, e não o que falam dele.

Voltando a cura, gostei muito do livro, principalmente por se tratar de um filósofo enigmático e carrancudo, que eu tinha lido rapidamente alguma teoria na faculdade. Não deu tempo de me aprofundar em seus textos, mas o que li na época eu gostei.

Com este livro pude ter uma visão mais ampla e conhecer um pouco mais da vida e da obra deste fantástico filósofo alemão do século XIX, que foi amigo de Goethe ( por pouco mesmo, mas o respeitava muito - até eu né) e inimigo de Fichte e Hegel.

O livro : Ao fazer uma avaliação de sua longa carreira como psicoterapeuta, Julius decide procurar seu maior fracasso - um antigo paciente chamado Philip, viciado em sexo e que curou a si próprio seguindo as doutrinas de Schopenhauer - e o convida a participar da sua terapia em grupo. A presença de uma ex-conquista de Philip, que o odeia pela frieza com que a descartou, obriga-o a encarar o passado e desencadeia conflitos entre os pacientes e acirradas discussões filosóficas com Julius. Philip diz que não se curou com a terapia, mas que Schopenhauer era responsável por sua cura, por sua distância de tudo e de todos e seu empenho intelectual.

O livro traz situações muito humanas de pessoas que buscam na terapia as respostas e o sentido para a vida. Adorei os personagens e saber mais sobre Schopenhauer.


O livro, da editora Ediouro, tem 334 páginas, mas li em 4 dias.

Boa leitura, beijos a todos