Páginas

sexta-feira, 15 de maio de 2009

A montanha e o rio


A Montanha e o Rio é o tipo de história que daria uma belo roteiro de filme. Tem drama, ação, romance, conflito familiar, história e política. Conta a história de dois irmãos, filhos do mesmo pai mas de mães diferentes que são criados sem saber da existência um do outro e seguem destinos completamente diferentes, até que a vida deles se cruzam quando sem saber, se apaixonam pela mesma mulher.
Quando estava lendo o livro só conseguia imaginar quando Hollywood vai filmá-lo. Mesmo que alguns capítulos se arrastem, e demorem a concluir, é uma ótima leitura. A narrativa se torna interessante porque os capítulos são contados em primeira pessoa, cada hora por um dos irmãos, assim temos a visão dos dois, e também pela namorada deles. Assim, a cada momento você torce para um, quando os personagens vão se descortinando e a história desenrolando e tomando rumos cada vez mais inesperados.
beijos

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Uma pitada de filosofia

"Aquilo que se faz por amor, parece ir sempre além dos limites do bem e do mal." Friedrich Nietzsche

quarta-feira, 13 de maio de 2009

A Via Láctea


Semana passada vi um filme nacional de arte maravilhoso, A Via Láctea, da diretora Lina Chamie ( será que é filha do poeta??!!?). Bom, o filme bem ousado para os padrões nacionais, conta a história de um casal que está sofrendo a dor da separação. Heitor ( Marco Ricca) é um professor de literatura mais velho que Júlia (Alice Braga), que é atriz, mas deixa a profissão para ser veterinária. Após uma discussão por telefone eles terminam, e Heitor sai de casa correndo pelas ruas de São Paulo para tentar reatar o namoro. A partir daí a história passa a ser contada de forma fragmentada todos os principais momentos do casal e como se conheceram. A diretora mostrou bastante a cidade de São Paulo, o caos urbano do trânsito, as luzes da cidade, o cheio e o vazio. Além disso, alguns personagens coadjuvantes falavam direto com os persongens principais sobre o rompimento da relação, mesmo sem saber de nada, em forma de metalinguagem, o que achei muito diferente e bem usado.
A lírica do filme está em mostrar os sentimentos humanos, e não as ações, por isso a impressão de monotonia e de as cenas se repetirem, mas a diretora mostra a visão de cada um na cena. O que mais amei no filme é o dialogismo entre literatura e cinema, minhas duas artes favoritas. A mistura deu muito certo de uma maneira inusitada. A literatura é ponto muito forte, pois o tempo tempo é declamado trecho de um poema, de uma peça ( por ela ser ex-atriz) autores são citados em suas conversas, textos e trechos de poemas são citados em seus pensamentos e na narração da história, enfim, uma união perfeita.
Filme profundo, artístico, ousado e literal, literalmente, hehe
beijos

terça-feira, 12 de maio de 2009

Medéia, de Eurípedes

A maioria das pessoas deve pensar: porque eu leria uma tragédia grega escrita há 2500 anos? Bom, eu nunca faria essa pergunta porque eu leio, e adoro, e é através desses textos que podemos comprender a cultura do povo mais culto do início da civilização ocidental.
Os gregos faziam competições de peças teatrais em suas festas dedicadas do deus Dionísio, no final de cada colheita. Era uma maneira deles agradecerem o alimento que a terra produzia.
O engraçado é que eles agradeciam de maneira pitoresca. Era feita uma super festa, estilo carnaval, em que os gregos bebiam vinho o dia todo, e saiam às ruas em procissão empunhando um falo gigante. É pessoal, era o símbolo da fertilidade e não havia esse pudor que temos hoje.
A partir daí, eles iam para os theatron assistir as peças, e chegavam a passar quase 6 horas cerca de três peças. Bêbados, alegres, felizes, e apreciando a narrativa dos dramaturgos.
Nesta época, surgiram diversos escritores, entre eles Esopo, Sófocles e Eurípides, este último que escreveu a tragédia grega com a personagem feminina mais intrigante da história: Medéia.
E esta é minha dica de hoje. O texto é curto, tem 50 páginas, e conta a história de uma mulher que abandona seu país para viver ao lado de um grego, Jasão, mas é traída por ele, que se casa com a filha do rei. Enlouquecida de raiva e ciúme, Medéia comete uma loucura, que não vou contar para quem ainda não conhece a história.
Vale a pena tirar uma hora do dia para conhecer os textos gregos tão ricos e tão atuais, e que contribuem para a história do mundo. Pena que de 98 peças que Eurípedes publicou, nos resta apenas 19 e alguns fragmentos.
Indico também Édipo, de Sófocles ( que é meu favorito). ;-)

sexta-feira, 8 de maio de 2009

CHE - O argentino - Viva la Revolución!!!!!


CHE O argentino é a primeira parte do longa de Steven Soderbergh que estreou ano passado, e que só consegui ver esta semana, pois só agora chegou junto com o Festival de Cinema na minha cidade. Estava ansiosíssima para ver o filme, e adorei. O diretor gastou 4h28 de película para contar a história do líder revolucionário Ermesto Che Guevara, e dividiu sua produção em dois filmes de 2 horas: O argentino e O guerrilheiro.
Benício del Toro, ator porto-riquenho que interpretou o revolucionário, ficou perfeito no papel, e disse que Che é o personagem mais marcante de sua carreira. Como o filme é falado 80% em espanhol, Benicio, que é naturalizado norte-americano e desde os 13 anos está nos EUA, teve um pouco de dificuldade, pois segundo ele o espanhol do Che era muito culto. Rodrigo Santoro está no elenco no papel de Raúl Castro, irmão do Fidel.
A primeira parte conta como ele entrou na luta armada com Fidel pela libertação política, econômica e ideológica de Cuba das mãos da ditadura militar e do domínio norte-americano. Mostra porque ele se tornou um símbolo ideológico no mundo todo, e de acordo com que eu li em um blog, aquela foto famosa dele, em que ele está usando uma boina e que está estampada em qualquer camiseta de camelô, é a foto mais famosa da história e a imagem mais marcante do século XX.
Mesmo quem não conhece a história do Che, deve imaginar que ele deve feito algo importante, pois o mito que se criou em torno dele às vezes é maior que o próprio Che.
Mas no filme, muito bem dirigido por Soderbergh, mostra o lado humano e guerrilheiro do argentino. Segundo o diretor, Che lhe interessa mais que Cuba, portanto, a segunda parte do filme se concentrá no último ano da vida de Che, em que ele fica na Bolívia treinando guerrilheiros e é assassinado, executado( segundo a excelente obra de Saulo Gomes "Quem matou Che Guevara"), pois ele tinha os sonho de libertar não só Cuba, mas toda a latinoamérica.
Che foi um ser como poucos, uma figura emblemática, um intelectual que pegou em armas para ver se realizar, através de suas próprias mãos, o sonho de ver seu país de coração fora do domínio norte-americano.
Sou fã do Che, e sou fã de Soderbergh, que conseguiu mostrar neste filme e em seu discurso o que é a raíz do comunismo, e que olhando assim de longe até que não é tão ruim, diriam os céticos. Quem é leigo no assunto saiu da sala do cinema percebendo porque Cuba incomoda tanto, porque pintam Fidel Castro como o demônio e que comunistas não comem criancinhas.
O filme demorou mas chegou, pena que o discurso veio em um período em que as pessoas não serão influenciadas pelas atitudes de Che, pois estamos tão mergulhados no emaranhado desse capitalismo selvagem que é mais confortável usar a camiseta com a figura dele do que seguir seus ensinamentos.
O importante mesmo é que não vejo a hora de ver a parte 2.
beijos