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terça-feira, 8 de setembro de 2009

Gay Talese é o cara do jornalismo literário




















Acabei de devorar de uma só vez dois excelentes livros do jornalista-escritor norte-americano Gay Talese, um mestre do jornalismo literário. O primeiro foi seu grande sucesso e obra prima A mulher do próximo, imprescindível para qualquer jornalista ou amante das letras que aprecie uma boa história real contada através de um texto bem trabalhado, simples, mas ao mesmo tempo encorpado.
Neste, ele passou exatos 9 anos de sua vida fazendo pesquisa de campo, de arquivo, conhecendo pessoas, lugares, costumes, comunidades e estudando o comportamento humano, para desenvolver o melhor relato da vida sexual do norte-americano nas décadas de 60 e 70 especialmente, analisando o padrão de comportamento das pessoas e autoridades a respeito do assunto. Para realizar este trabalho, ele acompanhou julgamentos de editores de obras consideradas pornográficas, frenquentou um casa de swuingue e naturistas, bordéis, contou a vida de empresários do ramo da revista pornográfica, como Playboy e PentHouse, etc.
O outro livro é o mais recente, que se chama Vida de Escritor, uma espécie de uma autobiografia em que ele se autoanalisa e conta a histórias de uns acontecimentos em sua vida não viraram livro anteriormente.
Este tem 500 páginas, que eu li rapidamente tamanha a qualidade e a leveza do texto. Recomendo ambos, e todos os outros dele que ainda não li mas já me disseram que são igualmente ótimos,
beijinhosss

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

A Garota Ideal


A Garota Ideal é o tipo de filme que você vai assistir pensando que é uma comédia pastelão daquelas bem idiotas e na verdade é um drama psicológico com ótimas interpretações. Bem melhor do que eu esperava, na verdade. Domingo de frio de chuva, só podia ser filme mesmo para passar o dia, e fiz a escolha certa.
Ryan Gosling, que é o protagonista, está perfeito no papel de um moço tímido do interior, que tem problemas de relacionamento com todos ao seu redor, inclusive com seu próprio irmão. Mora na garagem da casa da família e se recusa a ter contato muito próximo com as pessoas, e até o toque dói, segundo ele. É um sacrificío até para ele tomar um café da manhã com o irmão e a cunhada.
Até que um dia, sem mais nem menos, Lars ( o personagem de Gosling) chega na casa do irmão e diz que tem uma novidade, que está tendo um relacionamento e que a garota chegou a pouco dos trópicos.
Esperançosos, o irmão e a cunhada preparam um jantar, e se chocam ao perceber que a namorada de Lars é uma boneca sexual tamanho grande comprada por um site na internet. Lars conversa com a boneca como se ela realmente estivesse ali, fosse real. Mas como disseram no filme "ela é real, ela só não é humana".
Até aí o que eu pensava ser uma comédia acaba virando um drama, pois o filme puxa o telespectador para dentro de Lars, de seu delírio com a boneca e como ele conduz todo o relacionamento de mentira. Ele criou esta garota "metade brasileira, metade dinamarquesa", segundo ele, e a trata como se ela realmente existisse.
O casal ( irmão e cunhada) logo o levam à médica para que ela trate dele, como se estivesse tratando de um problema na pressão arterial da boneca ( cujo nome é Bianca). Enquanto a Bianca se submente ao ficctício tratamento, Lars fica conversando com a médica e aos poucos expondo mais sua vulnerabilidade e mostrando como a solidão pode fazer com que o ser humano cometa delírios deste tipo.
O que mais me chamou a atenção na história foi como o irmão e a cunhada se empenharam em tratar a boneca como um moça de verdade, e como Lars era muito querido na cidade, todos também começaram a tratar a boneca assim, até trabalho como missionária ela arrumou.
Todos faziam de tudo para que ela se sentisse em casa, e neste interim Lars ia conduzindo todo o relacionamento com a boneca, se libertando das amarras, crescendo e amadurecendo.
Achei o filme de uma sensibilidade incrível em tratar de um tema que poderia ser estranho de maneira tão sutil, e palmas vigorosas para Ryan Gosling, que está perfeito no papel, sem comentários. Assistam.
beijocas

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Não verás país nenhum


Tirei férias da pós, aliás, volto hoje à ativa, e também tirei férias do blog. Vários contratempos me afastaram do meu prazer quase que semanal de devanear sobre meus encontros com as artes. Eis me aqui novamente com uma pauta imensa e sem saber como começar.
Acho que vou falar da minha experiência com o Não verás país nenhum, de Ignácio de Loyola Brandão, escritor brasileiro que criou esta excelente obra de ficção, mas que se você ver bem, nem é tão ficção assim. O livro perturba, constrange, mexe na ferida, incomoda.
Eu fiquei muito afim de lê-lo há uns dois anos atrás, quando o escritor participou de uma feira do livro aqui na cidade e assunto em pauta do seu Salão de Ideias foi apenas este livro. Aí eu ia entrar de férias em dezembro, aproveitei para comprar o livro em um sebo por R$ 5.
Beleza, comprei o livro e ele permaneceu lá paradinho por quase dois anos, que dó. Fui passando outras leituras na frente e ele foi ficando.
Agora em julho resolvi acelerar minha estante empatada de livros adquiridos e não lidos, e para isso dei um tempo de visitar as bibliotecas. E não é que me apaixonei por este livro logo na primeira página, e em vez de ler rápido, como costumo fazer, para não perder tempo e começar a ler outras obras, me surpreendi enrolando para virar cada página, só para não ver o livro terminar.
Ele conta a história de um homem vivendo em meio a uma São Paulo futurista, o caos que a cidade e o planeta se tornam, as dificuldades para se conseguir água potável e comida, o problema do lixo, que não tem mais lugar para ir, o calor insuportável, que faz todos transpirarem o tempo tempo, a política corrupta, o sistema de divisão de classes, etc, em meio a isso os problemas sociais e de relacionamento entre as famílias e os casais, como acontece com o próprio personagem principal, um professor de história aposentado que vive questionando o novo mundo em que vive.
O livro é de uma veracidade gritante e alarmante, e complemente atual. É como citei no twitter, é um livro para se ter, ler e reler, e prestigiar o talento de Brandão para a literatura.
Fiquei até mal por ter demorado tanto com este livro, mas valeu a pena, e agora poderei relê-lo assim que quiser.
Eu se fosse você faria o mesmo. beijos

terça-feira, 14 de julho de 2009

Esculturas de Eurico Rezende


Esculturas em ferro























Adoro fazer matérias de artes, e ontem fiz uma sobre o artista plástico Eurico Rezende de Ribeirão Preto, que faleceu no mês passado, mas deixou uma obra maravilhosa. Veja a matéria que foi publicada originalmente em www.ribeiraopretoonline.com.br, e as fotos que foram tiradas por Elaine Campos na Casa Aberta, onde as obras estavam expostas. beijinhos



O escultor Eurico Rezende deixa grande acervo artístico para Ribeirão Preto

Para compreender a arte de Eurico Rezende (7/1/1960 – 9/6/2009) é preciso entender a essência humana, pois o abstrato de sua obra trabalha proporções, dimensões, volumes e formas que causam uma certa insegurança pelo seus objetivos pontiagudos, sua irregularidade linear, e talvez seja esse íntimo do homem que ele queria tocar através de sua obra. Eurico, um dos maiores artistas plásticos de Ribeirão Preto com destaque nacional, nos deixou prematuramente há um mês vítima de hemorragia digestiva alta, mas a beleza e a magnitude de suas obras vão permanecer para nossa apreciação.

Ele definia seu trabalho como um misto de pesquisas constantes e produção, para criar contradições e antagonismos , em que trabalhava com vários temas ao mesmo tempo, que eram produzidos em série. Seus objetos de trabalho eram madeira, pedra sabão, ferro, chumbo e parafina.

Artista desde sempre, Eurico iniciou na arte da escultura ainda menino, tentando entalhar madeira. Autodidata, o artista foi testando sozinho suas habilidades e começou suas grandes esculturas em pedra sabão, com a orientação de ninguém menos que Bassano Vaccarini, grande artista italiano radicado em Ribeirão Preto que já trabalhava com este material. A escola não poderia ter sido melhor para influenciar toda a obra abstrata e contemporânea de Eurico, que sempre pedia orientação de Bassano nos primeiros trabalhos.

Paralelamente à sua arte, Eurico trabalhou na TV Manchete e na EPTV, na área de iluminação e operação de vídeo, mas sua paixão sempre foi a escultura. Ele participou de sua primeira exposição em 1986, e em 1990 montou seu primeiro ateliê, juntamente com outros artistas como Jair Correia e Maurilima, entre outros, para poder se dedicar integralmente à sua vocação artística. “O Eurico fazia o que ele queria com o material, não importando o que queria dizer. Ele era livre em seu trabalho”, comenta a artesã Lena Ehrhardt, esposa do artista plástico Ricardo Ehrhardt e amiga de Eurico. “Participamos juntos de várias exposições, mas a que me marcou foi a da Oficina da Cultura em 1992”, comenta Ricardo.

Após esta fase, em 1997 Eurico montou seu próprio Atelier com o artista Paló, ministrava cursos e oficinas de artes e trabalhar em suas esculturas. Hoje, Paló está cuidando do ateliê, de suas obras e as de Eurico.”A obra dele é bem coerente e gosto do período mais recente dele, pois mostra a sua maturidade. As pessoas também apreciam muito suas esculturas em ferro fundido e pedra”, comenta Paló. Ambos já fizeram experimentações artísticas em comum. ”Eu trabalho mais com pintura, mas nós costumávamos fazer experiências juntos com sucatas também”, afirma.


Últimas exposições :

• XXXIX Salão de Arte Contemporânea de Piracicaba (SP)- nov/2007
• 7ª Mostra João Turin de Arte Tridimensional -Curitiba(PR)- set/2005
• XXIX SARP – Salão de Arte Contemporânea Ribeirão Preto (SP)- ago/2004
• 6ª Mostra João Turin de Arte Tridimensional – Curitiba(PR)- set/2003
• XXVIII SARP – Salão de Arte Contemporânea Ribeirão Preto (SP)- ago/2003
• 21º Salão de Arte Pará – Belém (PA) – outubro/2002
• I Salão Nacional de Arte de Ouro Preto (MG) – julho/2001
• XIII Salão de Artes Plásticas de Praia Grande (SP) – julho/2001
• 20th Tenri International Art Competition-Tenri Biennale-2001- Tenri- Nara-Japão-Abr/2001
• VIII Salão de Arte Contemporânea de São Bernardo do Campo (SP) – Ago/2000
• IX Salão Paulista de Arte Contemporânea – São Paulo (SP) – Mar/2000
• 30º SAC – Salão de Arte Contemporânea de Piracicaba (SP) – Out/99 (obra comentada)

Últimos prêmio recebidos:

• Referência especial do júri - XXXIX Salão de Arte Contemporânea de Piracicaba (SP)- nov/2007
• Prêmio Aquisição – VIII Salão de Arte Contemporânea de São Bernardo do Campo (SP) – Ago/2000
• Menção Honrosa – XXII Salão de Artes de Araraquara (SP) – mai/98
• Grande medalha de Bronze – 21º SLAC –Salão Limeirense de Arte Contemporânea – Limeira (SP) – nov/97

O Atelier fica na rua Comandante Marcondes Salgado, 1840, no Boulevard em Ribeirão Preto.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Ponto de Vista


Nem sou tão fã de filme de ação e tiroteios, apesar de ser filme, mas às vezes me arrisco, pois quero assistir tudo mesmo. É uma vontade incontrolável, e a briga é muito boa entre ver filme e ler, geralmente faço os dois diariamente, mas algum sempre sai em vantagem em determinado dia, afinal, sou humana. No fim de semana me dediquei ao cinema, apesar de ter ligo algumas 100 páginas do Filosofia em Comum, da Márcia Tiburi ( aliás, recomendadíssimo) e vi uns 5 filmes, entre eles o Ponto de Vista (2008) com Dennis Quaid no papel principal. Achei o roteiro demais, muito criativo. Enrolei tanto para ver esse filme, passei outros na frente, já cheguei até a começar, por 15 minutos mas parei, pois achei que era chato. Aí enfim me rendi "Preciso ver para ter uma opinião, oras", pensei comigo mesma, e foi que fiz.
A história se passa na Espanha em uma reunião de cúpula em que o presidente norte-americano pode ser alvo de uma ação terrorista. Por isso, a guarda presidencial providencia um esquema de segurança impecável, até contratam um dublê, que chique. No meio da apresentação do presidente, ele sofre um atentado (o dublê na verdade), e o filme todo acontece de acordo com 8 perspectivas das pessoas que participam da ação, como o segurança ( Dennis Quaid), um policial espanhol, um turista ( Forest Whitaker), a menina que tomava sorvete com mãe, etc. Até o momento do tiro, o filme retrocede e mostra como cada personagem foi parar ali e o que ele viu, ouviu, e assim a história vai se construindo, e sua opinião a respeito dos personagens vai mudando, pois a história vai se desenvolvendo de acordo com o ponto de vista de cada um.
Apesar de parecer confuso, o roteiro é bem amarrado, e as cenas de ação não deixam a peteca cair. Só peca nessa chatice nacionalista, neste patriotismo exagerado que só os americanos conseguem, e já se tornou um clichê.
Fora isso, Forest Whitaker está brilhante, assim como os demais atores não tão conhecidos.
Quem se aventurar, desejo um bom filme.
beijos