Páginas

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Os imperfeccionistas


Uma dica esperta de leitura para quem está de bobeira. Os imperfeccionistas, romance de estreia de Tom Racham, é um livro sobre jornalistas mas não somente para jornalistas. O livro é dividido em capítulos, e cada um conta a história de um jornalista ou alguma pessoa diretamente envolvida com jornalista de um periódico em inglês mas com sede em Roma.
O interessante do livro é que ele não se passa só na redação. Ele passa pela vida privada desses jornalistas em volta com suas vidas profissionais e pessoais geralmente em conflito.
Ouvi dizer que o livro foi o grande Best-seller de 2010. É um bom entretenimento para quem quer uma leitura despretenciosa, e para quem é jornalista, vai se identificar certamente com diversas passagens do livro.
Dica dada. Boa sexta.


terça-feira, 3 de julho de 2012

Documentário: Uma Breve História do Rock

Olá, pessoal
Achei esse documentário no youtube e resolvi compartilhar. Quem tiver 30 minutos, assista que vale a pena: Uma breve história do rock. Produzido no Brasil.



domingo, 1 de julho de 2012

Para Roma com Amor


Em uma época que a safra de comédias românticas vai de mal a pior, com histórias fracas e atuações piores ainda e roteiros altamente sexualizados, Woody Allen traz Para Roma com Amor para nos salvar.  Uma homenagem à Itália, com tomadas belíssimas feitas dos principais pontos turísticos de Roma, é de encher os olhos. Fazia tempo que Allen não participava de um filme seu e neste ele vem dar uma aula de comédia aos 80 anos de idade.


O filme conta a história em quatro núcleos diferentes, que se passa na capital histórica de Roma. Woody Allen faz parte do núcleo da família de uma turista nova-iorquina, que em visita a Roma se apaixona por um italiano e convida sua família para conhecer a família do namorado. Allen interpreta o pai da moça, que não se contenta que a filha queira se casar com um italiano “comunista”, que não liga para o dinheiro. Ele espera que a filha se case com um italiano rico. Mas ao perceber que o pai do rapaz tem uma voz incrível e talento para tenor, Allen decide investir no dono da voz para ver se pelo menos assim consegue fazer um pouco de dinheiro.
O segundo núcleo é o de um arquiteto que está em férias em Roma e passa a relembrar momentos de quando viveu na cidade há 30 anos atrás. Sua história se confunde com a de um rapaz, também arquiteto, que vive com a namorada onde ele morou. A namorada recebe a melhor amiga sexy e inteligente em casa, e isso acaba despertando o interesse do jovem arquiteto. Ele acaba de apaixonado por ela e fica sem saber o que fazer com a namorada que o ama e é sua companheira. A história dos dois são muito parecidas, ou podem ser a mesma?
Em outro lugar qualquer de Roma, Roberto Benigni (aquele do A Vida é Bela que roubou o Oscar de Central do Brasil) faz um italiano comum, classe média com uma vida bem mais ou menos,  que é confundido com um astro e passa a ser perseguido pela imprensa e por fãs. Tem todas as mulheres a seus pés e descobre a dor e a delícia da fama. Um ótimo recorte que poderia ter rendido bem mais, pois Benigni estava muito bem, sem exageros e firulas.
A quarta história e a mais enrolada é a de dois jovens recém-casados que vem do interior para tentar a vida em Roma, e espera fechar negócios com a família do noivo. A noiva sai para procurar um salão de beleza mas se perde na bela Roma e acaba numa locação onde está sendo rodado um filme com seus astros favoritos. Detalhe: a bela Ornella Muti faz uma ponta nesta sequência . A jovem acaba saindo com seu astro do cinema enquanto seu marido está no hotel esperando por ela. Por engano, ele recebe de presente uma tarde de amor com uma prostituta, ninguém menos que Penélope Cruz, que forma o perfeito conjunto de boa atuação com boa presença no vídeo, um sopro que poderia render bem mais. Sua família chega bem na hora e a confunde com sua esposa.

Essas quatro histórias fazem com que conhecemos um pouco mais sobre Roma e seus peculiares moradores e turistas. O filme traz ótimas interpretações em todos os núcleos e diverte, sem ser piegas, sem sexualizar demais e faz com que os atores experimentem papéis diferentes do que haviam feito. Woody Allen não está nem um pouco decadente, como há muitas críticas por aí. Muito pelo contrário. Está impecável aos 80 anos, com o timing certo para comédia e com ótimo roteiro, com referências e colocações que só um texto dele é capaz.

quinta-feira, 29 de março de 2012

Drive - Nicolas Winding Refn (2011)

A história do filme é muito simples. Um homem que trabalha como mecânico e dirige carros como dublê em filmes, e ainda por cima nas horas vagas ajuda bandidos em fugas de assalto por ter habilidade excepcional em dirigir em alta velocidade, se envolve em um assalto que não dá certo para tentar ajudar o marido da vizinha e o filho do casal. O plano dá errado e o marido da vizinha morre na sua frente. Para proteger a mulher e a criança, o mocinho vai atrás dos bandidos em busca de vingança, até acabar com todos.
Está aí o resumo do filme. Agora não é porque você sabe toda a história que vai deixar de vê-la, pois eu costumo dizer que não importa qual é a história está sendo contada e sim como ela é contada. E em Drive, com a excelente direção de Nicolas Winding Refn, faz toda a diferença a maneira como ele conta a história.
O protagonista é um herói solitário, sem passado, misterioso, muito bem interpretado pelo ator canadense e camaleônico Ryan Gosling, que já me chamou a atenção desde Diários de uma Paixão. O ator mostra versatilidade em cada personagem e neste filme você não vê nada do rapaz tímido que namora uma boneca comprada pela internet de A Garota Ideal e nem o marido humilhado de Namorados para Sempre. Você vê apenas o motorista em um papel que vai ficar marcado em sua ascendente e promissora carreira.
Em Drive seu personagem é instigante e intrigante ao mesmo tempo, é simples e objetivo, chegando a ser até frio, de uma maneira didática. Mas aí se esconde o charme do personagem, não sabemos seu nome, de onde veio nem para onde vai, só sabemos que impulsionado por um sentimento ele age em nossa frente como se não houvesse amanhã, e acompanhamos ávidos por saber mais e torcemos muito por ele.
O filme é cheio de violência e paixão, tratados com muito estilo pelo diretor, pois o herói justiceiro quer a todo custo proteger Irene, sua vizinha (a sem gracinha da Carey Mulligan) e seu filho, e nem se importa com o dinheiro e muito menos em matar alguém dentro do elevador na sua frente, como acontece em uma das sequências mais violentas do filme.
A fotografia é quente, avermelhada e densa, e cria a tensão necessária para o desenrolar da trama. A câmera lenta é amplamente usada para a suspensão do tempo na antecipação da ação. Há que não aprecie este recurso mas neste filme foi fundamental para dar liga a trama.
A trilha sonora soa bem anos 70, assim como o carro do personagem e seu jaquetão branco, boa parte do narrativa ensanguetado. Por um momento pensei estar vendo um filme de Quentin Tarantino em slow motion. 
O papel do motorista seria inicialmente de Hugh Jackman, mas após ver Drive não consigo imaginar qualquer ator que não seja o Ryan Gosling para ele.
Um ótimo filme ainda em cartaz nos cinemas de Ribeirão Preto. Aproveitem e bom filme.

Essa coluna foi escrita originalmente para o www. varaldiverso.com

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Uma geração que salvou Hollywood

Depois de muito enrolar, confesso que enrolei bastante, finalmente terminei a leitura de
Como a Geração Sexo-Drogas-e-Rock’n’roll Salvou Hollywood: Easy Riders, Raging Bulls, de Peter Biskind, publicado pela editora Intrinseca.
Mas só enrolei mesmo porque o livro é muito bom, daqueles que a gente enrola para não acabar, pois se deixar, dá para ler numa sentada só. A leitura flui, pois além do texto ser delicioso, as histórias contidas nele são impagáveis. Além do mais, é sobre cinema.
Neste livro reportagem com cara do mais mirabolante best-seller, Peter Biskin, que já foi editor de várias revistas de cinema e escreve sobre a sétima arte em várias publicações de respeito nos Estados Unidos, mostra o período considerado de ouro do cinema norte-americano, a década de 70. Segundo ele, foi o momento mais produtivo de Hollywood, em que jovens cineastas criativos vieram para salvar a indústria do cinema em virtude da quebra de grandes estúdios. Nesta época destacaram-se diretores como Francis For Coppola, Martin Scorsese, George Lucas, Steven Spielberg e Terrence Malick.
O que diferenciou essa década de outras é que antes de Bonnie e Clyde (1967), que ditava a produção
dos filmes eram os estúdios. Se o estúdio não aprovava um roteiro, dificilmente o filme entraria em produção. O diretor fazia o que o estúdio mandava e não havia conversa.
Já a partir de Bonnie e Clyde, que foi todo idealizado por Warren Beatty, Hollywood passou a conhecer outro tipo de cinema, feito com tiros, violência, sangue e balas, muitas balas, o que transformou o bandido em herói. Mais ou menos que tem acontecido com os filmes de favela no Brasil na última década.
Essa troca de valores mexeu muito com toda a estrutura de Hollywood, principalmente porque o filme foi um sucesso de bilheteria e abriu portas para que diretores, assim como Beatty, pudessem criar, adquirindo status de autor da obra. Assim como os franceses da Nouvelle Vague. Esse foi só o começo. Depois viram Easy Rider, de Dennis Hopper, que pela primeira vez mostrou pessoas se drogando abertamente e curtindo um estilo de vida que nenhum grande estúdio financiaria, O Poderoso Chefão, que foi a glória e a perdição de Coppola, Taxi Driver, de Scorsese, entre muitos outros.





Easy Rider (1969)





Mesmo que a era do ouro tenha sido só a década de 70, foi ela que transformou a indústria no que ela
é hoje. Pena que a maioria dos diretores torraram suas fortunas em drogas, orgias e mulheres.
Para quem gosta de cinema, o livro é imperdível, para quem gosta de uma leitura envolvente, cheia de tramas que daria um filme, também vai gostar.
Recomendo demais, pois há muitas outra histórias dos bastidores da Nova Hollywood, como essa
década ficou conhecida.











Bonnie e Clyde (1967)



Semana passada vi que este livro estava por R$ 9,90 no Submarino. Só não compra quem não quer.
Fica a dica! Beijos, até a próxima

domingo, 18 de dezembro de 2011

A Pele que Habito

Acabei de receber um comentário no twitter, de uma pessoa que gostou do blog, e lamentou eu ter abandonado. Minhas atividades foram tantas em 2011 que realmente deixei de lado e disse a mim mesma que nunca mais escreveria. Neste ano, além dessa mensagem de hoje, recebi outras de pessoas que entravam às vezes para ler meu intimista diário, e até comentá-lo, mas que iam parar de acompanhá-lo porque não havia mais tantas atualizações.
Motivada por este comentário de hoje, decidi voltar a postar. Pra mim, para os amigos e para os ilustres desconhecidos que vez ou outra decidem perder uns minutos do seu dia para ler as impressões bem particulares de uma jornalista que ama ler e vê no mínimo um filme por dia, tamanha minha paixão por essas duas formas de arte.
Há uns meses recebi um convite de uma amiga pra escrever sobre cinema em seu blog aqui de Ribeirão Preto. Aceitei o desafio, e publico uma coluna esporádica em que conto minhas impressões sobre obras da sétima arte.
Retorno ao meu fantástico mundo com o filme A Pele que Habito, que foi publicado há 15 dias no blog Varal Diverso

A Pele que Habito (2011, Pedro Almodóvar)


Como começar a falar de um filme do meu diretor favorito? Bom, acho que já comecei. Na última semana fui ver o filme mais aguardado no ano, por se tratar, como já citei, de um diretor que acompanho há anos, e que nunca me desaponta. Claro que gostamos sempre de um filme mais que o outro, por diversos motivos, mas ele consegue ser certeiro no roteiro, na produção e direção em qualquer projeto. Acho que minha descendência espanhola me deixa mais próxima dos dramas e conflitos que ele relata.

Depois desta introdução, vamos direto ao ponto. A Pele Que Habito (La Piel que Habito, 2011) é um misto de drama e suspense que conta a história de forma não linear, e mesmo assim não perde o ritmo. Para quem gosta de cinema, é lição de casa.
Neste filme, nem tudo o que parece é, a princípio. Sabemos que um famoso cirurgião plástico, interpretado por Antonio Banderas, após a perda de sua esposa em um acidente em que ela fica com a pele carbonizada, dedica sua vida a criar uma pele que seja perfeita e resistente a dor e alta temperatura. Para isso, ele precisa se livrar dos escrúpulos e conseguir uma cobaia. Sabemos que ele tem uma filha que vive a base de medicamentos, e que por sofrer distúrbios mentais, acredita que seu pai a tenha estuprado em uma festa.  Sabemos também que ele mantém em casa uma paciente, a cobaia que recebe os testes da pele. Até então, não entendemos bem a relação com essa paciente, mas aos poucos a história nos chega e se desenrola. Não me estenderei em comentar mais sobre os personagens para não perder o suspense.
Em entrevistas, Almodóvar disse que pretendia fazer um filme de horror sem sustos, gritos ou caras feias. Não diria que é um filme de horror, mas certamente causa um certo incômodo, cutuca e instiga, além de impactar a plateia ávida por ser surpreendida. O suspense nos prepara para as cenas de ação em que a ameaça é concretizada, elevando a obra a filme de gênero, por mais que a marca do autor esteja em todas as cenas. Por mais que busquemos simbolismos e eles estejam ali, de acordo com a leitura de cada espectador, o filme não se prende a isso e consegue ir além e entregar uma história em quem objetos cortantes e que atiram cumpram seu papel sem ficar só na insinuação. O roteiro balança, mas não cai e a montagem te pega de surpresa em cada sequência.

Para entender melhor esse texto, vá ao cinema. Você merece ver um filme de tirar o fôlego como esse.

Boa sessão!

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Amor em Terra de Chamas

Olá, people
Acabei de ler um ótimo livro de uma das minhas escritoras favoritas: Jean Sasson. Já comentei em posts anteriores sobre ela e sobre seus livros. Jean é uma jornalista norte-americana que morou no Oriente Médio, e todos os seus livros são relatos reais de mulheres que vivem naquele país em condições impostas pelos homens e pelo islamismo. Já comentei sobre Princesa e os outros três livros da série, sobre a história da princesa da Arábia Saudita, e sobre Mayada, a iraquiana que é presa e torturada no regime de Sadan Hussein. Este que acabei de ler chama-se Amor em Terra de Chamas, e conta a história de Joanna, uma islâmica metada iraquiana, metada curda, mas que ama ser curda de coração, e por isso é perseguida pelos iraquianos. Hussein provoca ataques químicos no Curdistão, pois sua intenção é dizimar a população.
Joana é uma sobrevivente desse guerra desvairada. E em meio a bombas, perseguições e preconceito, por ser curda e mulher em um país que ambos valem quase nada, ela se apaixona por um guerrilheiro curdo chamado Sarbast, e que depois de muito tempo amando-o em silêncio, ele se rende a ela e a pede em casamento.
Apesar de ter estudado na Universidade, e se formado em engenharia agrícola, Joanna abandona uma vida de parco conforto para lutar pelo Curdistão ao lado do amor de sua vida.
Eles passam por todo tipo de provação, fome, sede, subida íngreme em montanha, bombas químicas... é o inferno na Terra. E hoje Joanna vive com a família na Inglaterra com dois filhos e feliz ao lado de seu peshmerga (nome dados aos guerrilheiros curdos)
É o tipo de livro para se dar graças a Deus por ter nascido no Ocidente, apesar tudo. Os livros dessas mulheres são uma verdadeira lição de vida.
Soube que Jean lançou outro recentemente, já estou atrás, essa autora e seus relatos fortes e contundentes, e melhor ainda, reais, me fisgaram, e espero que fisgue você também,

terça-feira, 30 de novembro de 2010

O Segredo do Gênesis

Monografia entregue! Agora sim posso voltar a minha rotina de livros e filmes. Não que eu tivesse saído totalmente dela, mas claro que ela ficou um pouco de lado. Só estava lendo livros específicos da minha tese, que  é sobre adaptação de obra literária para o audiovisual. Ainda bem que escolhi um tema que amo, assim a leitura foi compensadora.
Mas é que cansa ler só teorias e livros técnicos. Gosto de variar a leitura. Nos dias finais da conclusão do trabalho comecei a ler O Segredo do Gênesis, de Tom Knox. Um livro que ganhei em um sorteio do blog Mundo de fantas. Best-seller que segue o estilo dos livros de Dan Brown, conta a história de um jornalista que é correspondente internacional no Oriente Médio. Seu editor o manda fazer uma reportagem sobre arqueologia nas novas escavações no Curdistão, chamada Gobekli Teppe, onde arqueólogos encontraram uma vila soterrada que pode ter sido escondida da humanidade há cerca de 8 mil atrás. O motivo? Ninguém sabe, e a população local não gosta muito de falar no assunto. Mas é claro que o jornalista e uma doce arqueóloga vão investigar os mistérios na nova terra descoberta e encontrar coisas pra lá de antigas, do tempo dos Gênesis mesmo.
Enquanto isso, em Londres, jovens são suspeitos de cometerem crimes bárbaros seguindo rituais milenares de tortura. O que será que esses crimes têm a ver com a descoberta do sítio arqueológico, é só lendo para saber, pois eu não vou contar.
O livro é um entretenimento emocionante, e dá para aprender várias coisas. Eu,que se não fosse jornalista, seria ou historiadora ou arqueóloga ( minha terceira profissão reprimida), adorei.
É o primeiro livro deste autor, vale conferir.
Agora vou para as páginas de 1808, Laurentino Gomes, sobre história do Brasil. Livro comprado há um ano e só agora consigo adentrar. Isso porque o 1822 dele já está a toda nas livrarias.
Como agora tenho mais tempo, espero escrever mais para quem estiver afim de ler.
Beijocas

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Não entendo quem não gosta de ler

Hoje é o Dia do Livro. Não entendo como alguém consegue não ler, não gostar de livro, ou diz até gostar mas alega não ter tempo para ler.
Não entendo como essas pessoas não gostam de ter um companheiro à cabeceira todos os dias, não gostam de viajar o mundo sem sair do lugar, não gostam de acompanhar várias aventuras e conhecer outras culturas.
Não consigo entender que as pessoas arranjam tempo para beber uma com os amigos, visitar conhecidos, ver televisão de domingo, cochilar, fazer academia, trabalhar, passear com os cachorros, cozinhar, ficar horas na internet, bater papo no telefone, jogar videogame, ficar na calçada olhando para o nada e só  ver a vida dos vizinhos, mas nunca encontram tempo para ler.
Não entendo as pessoas que não querem conhecimento, discernimento, sabedoria, cultura, boas histórias, explicações do mundo ou apenas crônicas do cotidiano.
Nunca vou entender quem não consegue se prender a uma bela história, que não consegue virar as páginas, que não gosta daquele cheiro afrodisíaco e viciante que só as folhas de um livro são capazes de trazer.
Nunca vou entender quem se contenta com o pouco, acredita no que vê e não se atreve a abrir um livro e encarar o desconhecido.
Nunca vou entender quem nunca leu nada, mesmo que não saiba, sempre tem alguém que pode ler em voz alta.
Nunca vou entender a falta de curiosidade pelo antigo, pelos mistérios que envolvem nossa existência, pelos pergaminhos, pelos papiros, pelos códices. Nunca vou entender quem não sente imenso remorso pela destruição da Biblioteca de Alexandria, e quanta cultura e conhecimento de séculos se perdeu.
Nunca entenderei quem nunca leu uma poesia, nunca escreveu uma crônica e nunca sentiu culpa por saber que nunca dará conta de ler todos os livros que há no mundo.

sábado, 23 de outubro de 2010

Casamento Silencioso é uma obra de arte do cinema romeno

Depois de mais uma temporada de abandono do blog, volto e prometo pra mim mesma, pela milésima vez, voltar a escrever com mais freqüência, quem sabe agora com mais tempo.
Eu não poderia deixar de comentar um filme muito bom que assisti ontem. Casamento Silencioso é uma produção de 2008 dirigida por Horatiu Malaele, entre a Romênia, Luxemburgo e França, e conta a história de um vilarejo pacato da Romênia de 1953, em que famílias se adaptam ao pós-II Guerra e a nova ordem mundial da Guerra Fria. Políticas à parte, as famílias só querem tocar suas vidas e ter paz e tranqüilidade.
Tanto que os mais jovens só pensam em namorar as filhas das vizinhas. E um desses namoros vira casamento, o que dá título ao filme. No meio da festa do casamento de Nara e Iancu, quando estão todos preparados para oficializar a cerimônia, aparece um oficial russo e decreta luto oficial e proíbe no país qualquer tipo de manifestação popular, festas, sorrisos, casamentos e até velórios por uma semana. Silêncio absoluto. Porquê? Isso aconteceu em 5 de março de 1953, data da morte de Stálin, o líder da União Soviética (que comandou a Romênia da Segunda Guerra Mundial até a Queda do Muro de Berlim). Ou seja, Stálin morre e o povo romeno foi obrigado a silenciar-se.
Mesmo com o decreto, as pessoas do vilarejo não querem deixar passar o momento tão importante para o casal. Então, de forma improvisada, realizam o casamento silencioso dentro da casa da noiva, sem ruídos, sem falas. É como se o diretor quisesse mostrar como viviam os romenos nessa época, de mãos atadas e bocas fechadas.
Demorei tanto para ver o filme que me arrependi de não ter visto antes, pois os 87 minutos são curtos mas certeiros, e o diretor usa diversas metáforas para contar como reinava a lei do silêncio. De forma cômica e um tanto esdrúxula, conseguimos entender o que essas pessoas passaram anos atrás. A sensibilidade do diretor foi responsável por uma das cenas mais memoráveis do cinema, duas na minha opinião, a do casamento silencioso em si e da aparição, com recursos visuais que lembraram muito o cinema fantástico de Meliés.
Claro que não vou detalhar as cenas, pois seria injusto com quem não viu o filme, mas vale muito a pena ser visto. Me contem depois o que acharam.
Falta só um mês para eu entregar meu TCC e minha vida voltará ao normal, com dicas diárias, se possível, mas por enquanto, vou escrevendo sempre que der, ou sempre que tiver uma obra de arte tão refinada quanto este filme para comentar.
Parece que o cinema romeno está com tudo, e agora o próximo passo é assistir Como eu Festejei o Fim do Mundo, produção do mesmo país. Eu conto depois.
Beijos e bom fim de semana.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Sonhando Acordado - Mais um filme de Michel Gondry

Meu Deus, que sumiço. Abandonei o blog por esses dias. Mudança de rotina, de trabalho fizeram com que me afastasse um pouco daqui, mas já estou de volta.
Hoje trago uma dica bem divertida para quem gosta de filmes com viagens oníricas. Ontem não aguentei ver o debate, e zapeando vi um filme no TC Cult: Sonhando Acordado (2006) com Gael Garcia Bernal e a francesa Charlotte Gainsbourg ( de Anticristo), escrito e dirigido por Michel Gondry, meu queridinho. Digo isso porque ele é o diretor do meu filme favorito: o Brilho Eterno (neste ele contou com o roteiro de Charlie Kauffman). Mas em Sonhando Acordado ele faz tudo sozinho, e viaja um pouco mais.
Ele conta também um romance, entre o filho da síndica de um prédio e uma inquilina, ele se chama Stefháne e ela Stefhanie. O romance, que se passa na França, começa de forma improvável, pois Stepháne na verdade fica afim da amiga de Stephanie primeiro. Mas a amizade entre os dois os aproxima mais e mais até compartilharem os mesmos sonhos.
Falar assim é resumir de forma simplista o que o filme na verdade é. Trata-se de uma viagem ao mundo dos sonhos de Stepháne, um cartunista que consegue um emprego medíocre indicado por sua mãe.
Filho de um mexicano com uma francesa, ele vai a Paris para viver mais perto da mãe depois que seu pai faleceu. Toda noite ele tem sonhos bizarros que envolvem sua família, sua infância, os acontecimentos do dia e coisas que estão por vir.
O engraçado desse filme é que o diretor não usa super efeitos especiais para retratar os sonhos, como acontece no filme A Origem, por exemplo. O estúdio de TV é feito com caixas de ovos, papelão, celofane. Outros recursos também são bem artesanais e bem visíveis, e isso não tira o onírico e a magia do filme. Muito pelo contrário.
Mostra que a emoção que o cinema proporciona está acima de efeitos especiais. Um breve retorno a Mélies.
O filme é bem fofo, vale a pena.

Espero que assistam, suportem e gostem. Beijos

sábado, 11 de setembro de 2010

A Saga Otori - O Piso-Rouxinol

Oi, pessoal
Já é sábado e a última vez que postei foi no feriado. A semana foi muito corrida e mal tive tempo pra nada. Mas hoje passei pra deixar uma dica de leitura, já que as últimas foram de cinema. Eu li o primeiro livro de uma trilogia, A Saga Otori, que terminei na semana passada, e achei a história super interessante, pois foge dos modismos que temos por aí. Esse livro se chama O Piso-Rouxinol. Não sei como vocês escolhem livros pra ler, mas eu tenho inúmeras formas: ou gosto do autor, ou vou pelo título, ou já tenho informações antecipadas, ou escolho no uni duni tê,entre outros. Esse livro foi assim. Entrei na biblioteca, e no uni duni tê escolhi esse. Gostei da capa, e ao ler a sinopse vi se tratar de uma trilogia (que na verdade são quatro, pois o quarto livro estava ali junto com os outros três).
Dei uma desanimada, porque ando meio preguiçosa com trilogias ou continuações. Tudo hoje é assim, tanto no cinema quanto na literatura, e às vezes o fim de um livro ou filme já basta pra mim, talvez seria melhor sem as continuações. E outra, é como se fosse assistir uma novela, exige tempo, dedicação e acompanhamento, o que ultimamente tenho pouco, por conta da alta carga de estudos e teorias que preciso ler.
Bom, decidi levar mesmo o livro ao ver que se tratava de uma história que se passa entre clãs japoneses no período feudal. Conta a história de um jovem chamado Tomasu, que tem seu clã ( os Ocultos) destruído pelo clã rival pois seus familiares tinham poderes e eram mais espiritualizados. Ele salva a vida de um chefe de outro clã, Shigeru Otori ( do clã Otori) , e este o adota como filho em gratidão. Aos poucos Tomasu, que passa a se chamar Takeo, percebe que tem poderes extrassensoriais muito fortes, e isso pode ser de ajuda tanto para o clã que o adotou quanto para si próprio. Ele é treinado em arte de guerra de todas as formas para se proteger do inimigo e proteger seu clã.
Em meio a esses treinamentos, ele descobre o amor ao apaixonar-se pela noiva prometida ao seu pai adotivo. Mas o noivado não era por amor e sim por interesses de união e parcerias entre os clãs.
Adorei a proposta do livro, uma história bem diferente do que vemos por aí hoje em dia. Fora que dá para aprender bastante sobre a cultura do japão feudal, tão distante da nossa, pelo menos da minha.
A escritora é uma britânica chamada Lian Hearn, que é uma estudiosa dos hábitos e culturas do Japão.
Se vou ler os outros 3 livros? Claro que vou, não sei se já, mas vou sim e depois prometo contar.
Bom sábado!

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Vidas que se Cruzam

Esse feriado está com um tempinho delicioso aqui em Ribeirão Preto. Refrescou, em torno de 23/24 graus e uma chuvinha fina e gelada que já dura duas horas. Fiz uma pausa no trabalho que estou escrevendo para passar uma dica finíssima de filme para vocês.
Antes de vir pro computador estava assistindo um filme que queria ver há tempos e hoje consegui. Foi escrito e dirigido por Guillermo Arriaga, o mesmo de Babel e 21 Gramas. Quem gostou desses dois filmes certamente vai adorra Vidas que se Cruzam.O trailler é bem legal, e quando o vi pela primeira vez já anotei o filme, mas ele ficou pouco tempo em cartaz.
O filme conta aparentemente 4 histórias paralelas que se passa em uma cidade próxima ao México. Depois explico o aparentemente. Bom, trata-se da histórica de amor extra-conjugal entre Nick e Gina, um mexicano e uma norte-americana, ambos casados e com filhos mas vivem uma paixão ardente às escondidas. A outra história é da filha de Gina, Mariana, que a todo momento desconfia que a mãe está tendo um caso, e se envolve com o filho do amante de sua mãe. A terceira história é de uma garota mexicana, Maria, que acompanha o pai e o tio para um trabalho e acaba presenciando o acidente de avião do pai. A quarta história é a de Sylvia, uma chefe-de-cozinha solitária e descompromissada, que tem um olhar perdido e um sentimento de culpa muito grande, que sai com vários homens, como que para preencher um vazio.
A história é contada de forma não-linear, em que as ações presentes se misturam com as ações do passado, e só após uns 30 minutos de filme passamos a entender a ligação de todos os personagens. No início eles parecem soltos e parecem ser várias histórias paralelas, por isso lá em cima eu disse aparentemente. Pois na verdade trata-se apenas da história de uma pessoa, e através da volta ao seu passado é que ela consegue se livrar da culpa de diversos atos impulsivos e impensados. Ótimas atuações de Charlize Theron e Kim Bassinger.
Eu adoro esse roteirista e este filme é muito bom. A história é mais leve que os seus outros filmes, e acho que cai super bem para esse feriado. Como já está acabando, tente assistir no fim de semana. Vale a pena.
É como eu digo dos filmes do Arriaga, drama na medida certa com roteiro pra lá de bom.
Beijos

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

A Partida é muito mais do que um filme comum

Olá, pessoal
O primeiro post do mês será uma dica de filme pra quem gosta de drama, mas um drama bem feito. Assisto poucos filmes japoneses mas esse eu tinha que ver, principalmente depois de vários elogios que fizeram dele. Trata-se de A Partida, do diretor Yojiro Takita (2008), que foi o ganhador do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro de 2009 e outros 10 prêmios em diversos festivais de cinema pelo mundo.
A narrativa do filme é bem linear e comum, não foge aos padrões e não traz nenhuma inovação na montagem, na estética ou na tecnologia. Mesmo assim o filme prende a atenção, por se tratar de uma história sensível, mesmo sem pirotecnia. A música embala o filme todo, pois se trata da história de um violoncelista que toca na Orquestra em Tóquio, mas por conta da dissolução do grupo, ele é obrigado a voltar para a sua cidade natal no norte do Japão, juntamente com sua esposa. Desempregado, sai em busca de trabalho e consegue logo de cara, porque era o tipo de trabalho visto com muito preconceito por lá, ele se torna um preparador e maquiador de defuntos de uma funenária.
O trabalho de limpeza e preparação do corpo do morto era tradicionalmente feito apenas pelas famílias na Japão, mas como a modernidade e principalmente o ocidente mudaram hábitos milenares, este também mudou, e agora há empresas que fazem isso. Daigo, o protagonista, começa a trabalhar como auxiliar. Ele não conta nada à esposa, pois se trata de um trabalho tido como indigno, e segue no novo ofício e  a cada dia descobre um sentido na vida através dele.
Além disso, há sua história pessoal mal resolvida, pois Daigo foi abandonado pelo pai quando criança e guarda mágoas por toda a vida; e há o relacionamento com amigos da casa de banho que ele frenquentava. O protagonista vai dia a dia aprendendo a lidar consigo mesmo e vendo novas perspectivas em sua vida, aos poucos ele aceita este trabalho como sua profissão.
O filme não nem é um pouco dogmático, e trata o tema morte/vida de forma bem simples e sem ideologias ou culturas, apenas mostra o respeito que os japoneses têm pelos corpos dos entes queridos, e querem que eles estejam perfeitamente limpos, bem vestidos e maquiados para "a partida". O filme é um pouco lento para os dias de imediatismo de hoje e de filmes que mais parecem videoclipes, mas não é pesado e nem arrastado. As cenas se concentram nas emoções dos personagens, mais do que nas ações, e tudo foi feito de forma sensível e leve, sem ser maçante.
Podemos ver através do filme a rica cultura japonesa sendo dissolvida na pobre cultura norte-americana, e nos faz refletir até que ponto deixamos de lado nosso verdadeira cultura e como somos menos sem ela. Trata também do sincretismo religioso, e na hora da partida todos são iguais pois passam pelo mesmo processo: a cremação. Ouvir Ave Maria ao som do violoncelo foi uma surpresa ótima, e poder comparar culturas tão distintas quanto as nossas também.
Há uma outra cena me marcou muito. Ao serem contratados para preparar um corpo, eles se atrasam e quando chegam ao local os familiares já estão aflitos na porta, com olho no relógio. Os dois chegam e se desculpam "Por favor, nos perdoe, tivemos um atraso". O familiar diz. "Já são 5 minutos de atraso, por favor. Andem". E correm desesperados.
Ou seja, lá é como se eles tivessem atrasado 1 hora, eles não toleram atraso nenhum. Igualzinho o Brasil, não?! Rs.
Espero que vejam e se emocionem.
Quem viu e gostou, deixe seu comentário. Beijos



Daigo aprende a importância da higienização e preparação dos corpos dos mortos para a sua cultura e assim sua vida ganha outro sentido

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

O elogio da madrasta

Pessoal
Li há um tempinho já um livro curtinho e ótimo do Mario Vargas Llosa. Adoro esse escritor, tanto que um dos meus livros favoritos é dele: Travessuras da Meniná Má. (Outro dia falo dele)
Mas hoje eu vou falar de outro livro, mais polêmico e bem instigante, se chama O elogio da madrasta.  O livro conta a  história de um casal que vive em plena paixão. Lucrécia tem 40 anos e não perdeu a lascívia e sensualidade, e Dom Rigoberto está em seu segundo casamento e foi com Lucrécia que descobriu os prazeres da carne. O único empecilho dessa união parecia ser o filho de Rigoberto, Alfonso, na época com 12 anos, que era apegado demais à mãe e no começo resiste ao apelo de Lucrécia de se tornar uma boa madrasta para ele.
Aos poucos Lucrécria conquista a simpatia do menino, mas o que era apenas uma amizade passa a virar uma paixão carnal também do menino por ela, o que acaba por desestabilizar uma vida que parecia estar em perfeita harmonia.
Mário Vargas Llosa constrói uma história digna de Nelson Rodrigues, com forte apelo sexual e final surpreedente. É uma Lolita às avessas. O livro é muito bom, com história que fica marcada,  essa explosão vem em apenas 160 páginas. Na hora que fica bom o livro acaba, dá até dó.
Quem ler espero que goste.
Beijos

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Una noche a la mexicana

Olá, pessoal
Não acompanhei o Miss Universo ontem, mas peguei o finalzinho, bem quando estavam anunciando a Miss México. Como não vi as outras, achei a escolha justíssima, principalmente em relação a oponente jamaicana.
Antes de zapear e pegar a coroação da beldade, eu estava justamente lendo um romance de um escritor mexicano, David Toscana, que eu não conhecia mas já tinha ouvido falar, porque a crítica tem dito o que ele e Roberto Bolaño são os escritores latino-americanos do momento.
O livro se chama O último leitor, e conta a história de um corpo de uma menina que é encontrada no poço do jovem Remigio, que mora em Icamole, uma cidade pobre e seca no interior do México. Em vez de entregar o corpo à polícia, o jovem enterra a menina debaixo de seu abacateiro. Ele conta com a ajuda e sigilo de seu pai Lúcio, um bibliotecário apaixonado por livros, que vê na menina morta uma semelhança com a menina de um romance que ele adora, chamado A morte de Babette. Tanto que sempre chama a menina de Babette, até conhecer a mãe da garota e descobrir que ele também adora esse livro e conta que sua filha, que na verdade se chama Anamari, tem semelhanças físicas e psicológicas de Babette.
O livro em si é bom, mas precisa ser lido com bastante cuidado, pois sua narrativa não é nadinha linear, e o autor mescla o enredo principal com histórias que Lúcio lê nos livros. Então ora ele está lendo, e as histórias dos livros são contadas como se fosse ação presente, mas na verdade é o ato da leitura de Lúcio, ora ele está no momento presente, e sempre comparando a realidade com os livros que lê. Como sua biblioteca é falida, e ele se recusou a fechar mesmo com ordem do governo, Lúcio passa os dias lendo, e separando livros que devem ir para as estantes e livros que devem ser condenados ao esquecimento, e segundo seu crivo, ninguém deve ler.
São 159 páginas densas, mas uma leitura bem inovadora e agradável.

Quem se arriscar, espero que goste! Beijos



Enquanto a Miss México era coroada, eu finalizava a leitura do escritor mexicano David Toscana.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Dogville

Ontem tive o prazer de assistir pela segunda vez um dos meus filmes favoritos, e um dos melhores filmes já produzidos: Dogville (2003). A primeira vez que assisti foi logo em 2004 , e lembro do impacto que o filme causou em mim. Poucos filmes fazem isso, pode ter certeza. Conte nos dedos os filmes que realmente te impressionaram ou mudaram sua visão de mundo. Pra quem ainda não viu, essa é a dica de hoje.
Dirigido por Lars Von Trier, um dos diretores mais polêmicos da atualidade, o filme é forte, moralmente falando. Não tão forte quanto Anticristo, que mostra mutilações físicas, mas Dogville mostra mutilações humanas, comportamentais e morais.
O filme se passa numa cidadezinha minúscula no interior dos EUA na época da grande depressão (1930 mais ou menos). Uma desconhecida (Grace, interpretada por Nicole Kidman) aparece na cidade fugindo de gângsters, e pede apoio dos moradores para se esconder, pois está sendo caçada. Para acolher a jovem na vila, os moradores fazem exigências, e um deles sugere que ela doe uma hora do seu dia para cada um e ajude em alguma tarefa. Mas não há muitas coisas a serem feitas na cidade pacata, mas mesmo assim os cidadãos dão atividades para ela. O tempo vai passando e essas atividades acabam se tornando um trabalho escravo, e a cada vez que a polícia ou os gângters aparecem na vila, os moradores se sentem ameaçados e punem Grace com mais trabalho, menos salário, humilhações, estupro, ou seja, caem as máscaras e os amáveis vizinhos mostram seus dentes.
Para quem não assistiu, o filme tem um final forte e surpreendente. Além de uma ótima história, que desvenda a imundície, a fraqueza e nuances da personalidade humana, a estética do filme é toda especial. Ele foi gravado dentro de um teatro, e a vila e as casas eram separadas apenas por linhas divisórias no chão, com o nome de cada local ou família. As ações podem ser acompanhadas de uma vez e sem paredes e cenários, apenas com pequenos objetos, os espectadores focam sua atenção na narrativa, o que torna o filme mais denso.Quem estiver disposto a sentar no sofá por 3 horas, tenho certeza que não vai se arrepender.
Beijos

Ah, o trailler, só achei com legenda em espanhol.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Festival de Blues em Ribeirão Preto

Pessoal, segue uma matéria minha que foi publicada no www.ribeiraopretoonline.com.br. sobre o Sesc ´N´Blues, festival de blues que acontece todo ano e traz diversas bandas nacionais e internacionais para a cidade. Ainda tem mais hoje e amanhã.

Instrumental e blues texano marcam o primeiro dia do Sesc ´N´Blues

Quinta-feira gelada em Ribeirão Preto. Mesmo assim os amantes do blues foram conferir a abertura do festival que acontece sempre em agosto na cidade. O Sesc N´Blues, tradicionalmente realizado no Teatro de Arena, pelo segundo ano consecutivo foi realizado no Ginásio de Esporte do Sesc. Segundo os organizadores, a estrutura do Teatro está precária para abrigar o evento.

Duas atrações abriram o festival na quinta-feira (19/8) . Ari Borger Quartet, que fez um show instrumental para os amantes do blues mais pop, com batidas mais ritmadas e dinâmicas. Formado por Ari Borger - órgão, Celso Salim - guitarra, Humberto Zigler - bateria e Marcos Klis - baixo acústico e elétrico, o Ari Borger Quartet faz o show de lançamento do CD “Backyard Jam”, terceiro álbum do grupo com mistura de blues, soul, jazz e música brasileira.

Após intervalo comandado pelo mestre de cerimônias Théo Werneck, o norte-americano Johnny Nicholas sobe ao palco, juntamente com a banda sãocarlense Blues The Ville, e agita a plateia com baladas típicas do blues texano. O cantor, guitarrista e gaitista já tocou e gravou com os grandes nomes do blues, como Big Walter Horton.

O Festival de Blues tem atrações ainda nesta sexta e sábado.








Ari Borger Quartet


Johnny Nicholas com Blues The Ville

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Gaiola das Cabeçudas - "Li tudo do Leon Tolstói"....

Pessoal

Ontem vi esse vídeo quando cheguei em casa na MTV e achei engraçadíssimo. Marcelo Adnet e grupo do Comédia MTV fazem uma paródia das dançarinas de Funk, criam o grupo "Gaiola das Cabeçudas" e cantam funk com referências dos maiores escritores e artistas mundiais. Ficou show! Olhem só.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Porque transformaram Jane Austen em vampira eu jamais saberei

Este é o post mais ambíguo da minha vida, porque não tenho uma opinião ainda sobre o livro que estou lendo. Peguei Jane Austen- A Vampira emprestado na Biblioteca do Sesc, porque eu nunca compraria um livro com esse título. Primeiro em compaixão à Jane Austen, que deve estar dando gargalhadas onde quer que ela esteja; segundo porque é de vampiros, e como já comentei no post sobre Sussurro, este é um gênero que já li muito na adolescência, agora já cansei.
Pois bem. Apesar de todo o preconceito inicial, o livro é até legal, uma história interessante sobre uma Jane Austen que tem 233 anos e vive em uma cidadezinho no interior dos EUA, é dona de uma livraria e adora ver que, apesar de tanto temp,o ainda é popular, seus livros vendem horrores mas ela sente por não receber nenhum direito autoral, pois todos pensam que ela está morta (deveria, né). O livro discute o mercado editorial atual, a fome por vendas dos novos escritores e como alguns autores ganham dinheiro fazendo o tal autoajuda em cima de preceitos antigos ( como A arte da guerra, a Bíblia, etc) e alguns em cima da literatura de Jane Austen. Até livro de culinária lançaram usando o nome dela, e infelizmente ela não recebe nada de direito autoral. Essa parte do livro achei interessantíssima e engraçada. Mas...
Bom, só não me fisgou ainda o lado vampiro dela. Claro, para ela ter 233 anos teria que ser vampira, na visão deste autor, mas eu não consigo ver Jane Austen assim. Claro que o autor precisava escolher algo para dar imortalidade a ela, mas vampira?!?! Não sei, pra mim não encaixa. Eu acho que talvez ela pudesse ter bebido algum elixir da imortalidade, ou mesmo se tornado um anjo, algo do tipo.
Mas é claro que isso é só minha opinião. Não conheço ninguém que leu para compartilhar comigo esse estranhamento em ver Jane Austen como vampira, mas pra mim não colou de jeito nenhum.
Ainda não terminei o livro, mas não sei se até o fim minha opinião a respeito dele vai mudar. Bom, minha opinião? Como disse no início, não sei, estou dividida. Gosto de 50% pela trama editorialesca e de uma autora ícone da literatura mundial. Não gosto do 50% que a tem como vampira.
Quem ler e quiser dividir opiniões, fiquem à vontade. Beijos