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segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Amor em Terra de Chamas

Olá, people
Acabei de ler um ótimo livro de uma das minhas escritoras favoritas: Jean Sasson. Já comentei em posts anteriores sobre ela e sobre seus livros. Jean é uma jornalista norte-americana que morou no Oriente Médio, e todos os seus livros são relatos reais de mulheres que vivem naquele país em condições impostas pelos homens e pelo islamismo. Já comentei sobre Princesa e os outros três livros da série, sobre a história da princesa da Arábia Saudita, e sobre Mayada, a iraquiana que é presa e torturada no regime de Sadan Hussein. Este que acabei de ler chama-se Amor em Terra de Chamas, e conta a história de Joanna, uma islâmica metada iraquiana, metada curda, mas que ama ser curda de coração, e por isso é perseguida pelos iraquianos. Hussein provoca ataques químicos no Curdistão, pois sua intenção é dizimar a população.
Joana é uma sobrevivente desse guerra desvairada. E em meio a bombas, perseguições e preconceito, por ser curda e mulher em um país que ambos valem quase nada, ela se apaixona por um guerrilheiro curdo chamado Sarbast, e que depois de muito tempo amando-o em silêncio, ele se rende a ela e a pede em casamento.
Apesar de ter estudado na Universidade, e se formado em engenharia agrícola, Joanna abandona uma vida de parco conforto para lutar pelo Curdistão ao lado do amor de sua vida.
Eles passam por todo tipo de provação, fome, sede, subida íngreme em montanha, bombas químicas... é o inferno na Terra. E hoje Joanna vive com a família na Inglaterra com dois filhos e feliz ao lado de seu peshmerga (nome dados aos guerrilheiros curdos)
É o tipo de livro para se dar graças a Deus por ter nascido no Ocidente, apesar tudo. Os livros dessas mulheres são uma verdadeira lição de vida.
Soube que Jean lançou outro recentemente, já estou atrás, essa autora e seus relatos fortes e contundentes, e melhor ainda, reais, me fisgaram, e espero que fisgue você também,

terça-feira, 30 de novembro de 2010

O Segredo do Gênesis

Monografia entregue! Agora sim posso voltar a minha rotina de livros e filmes. Não que eu tivesse saído totalmente dela, mas claro que ela ficou um pouco de lado. Só estava lendo livros específicos da minha tese, que  é sobre adaptação de obra literária para o audiovisual. Ainda bem que escolhi um tema que amo, assim a leitura foi compensadora.
Mas é que cansa ler só teorias e livros técnicos. Gosto de variar a leitura. Nos dias finais da conclusão do trabalho comecei a ler O Segredo do Gênesis, de Tom Knox. Um livro que ganhei em um sorteio do blog Mundo de fantas. Best-seller que segue o estilo dos livros de Dan Brown, conta a história de um jornalista que é correspondente internacional no Oriente Médio. Seu editor o manda fazer uma reportagem sobre arqueologia nas novas escavações no Curdistão, chamada Gobekli Teppe, onde arqueólogos encontraram uma vila soterrada que pode ter sido escondida da humanidade há cerca de 8 mil atrás. O motivo? Ninguém sabe, e a população local não gosta muito de falar no assunto. Mas é claro que o jornalista e uma doce arqueóloga vão investigar os mistérios na nova terra descoberta e encontrar coisas pra lá de antigas, do tempo dos Gênesis mesmo.
Enquanto isso, em Londres, jovens são suspeitos de cometerem crimes bárbaros seguindo rituais milenares de tortura. O que será que esses crimes têm a ver com a descoberta do sítio arqueológico, é só lendo para saber, pois eu não vou contar.
O livro é um entretenimento emocionante, e dá para aprender várias coisas. Eu,que se não fosse jornalista, seria ou historiadora ou arqueóloga ( minha terceira profissão reprimida), adorei.
É o primeiro livro deste autor, vale conferir.
Agora vou para as páginas de 1808, Laurentino Gomes, sobre história do Brasil. Livro comprado há um ano e só agora consigo adentrar. Isso porque o 1822 dele já está a toda nas livrarias.
Como agora tenho mais tempo, espero escrever mais para quem estiver afim de ler.
Beijocas

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Não entendo quem não gosta de ler

Hoje é o Dia do Livro. Não entendo como alguém consegue não ler, não gostar de livro, ou diz até gostar mas alega não ter tempo para ler.
Não entendo como essas pessoas não gostam de ter um companheiro à cabeceira todos os dias, não gostam de viajar o mundo sem sair do lugar, não gostam de acompanhar várias aventuras e conhecer outras culturas.
Não consigo entender que as pessoas arranjam tempo para beber uma com os amigos, visitar conhecidos, ver televisão de domingo, cochilar, fazer academia, trabalhar, passear com os cachorros, cozinhar, ficar horas na internet, bater papo no telefone, jogar videogame, ficar na calçada olhando para o nada e só  ver a vida dos vizinhos, mas nunca encontram tempo para ler.
Não entendo as pessoas que não querem conhecimento, discernimento, sabedoria, cultura, boas histórias, explicações do mundo ou apenas crônicas do cotidiano.
Nunca vou entender quem não consegue se prender a uma bela história, que não consegue virar as páginas, que não gosta daquele cheiro afrodisíaco e viciante que só as folhas de um livro são capazes de trazer.
Nunca vou entender quem se contenta com o pouco, acredita no que vê e não se atreve a abrir um livro e encarar o desconhecido.
Nunca vou entender quem nunca leu nada, mesmo que não saiba, sempre tem alguém que pode ler em voz alta.
Nunca vou entender a falta de curiosidade pelo antigo, pelos mistérios que envolvem nossa existência, pelos pergaminhos, pelos papiros, pelos códices. Nunca vou entender quem não sente imenso remorso pela destruição da Biblioteca de Alexandria, e quanta cultura e conhecimento de séculos se perdeu.
Nunca entenderei quem nunca leu uma poesia, nunca escreveu uma crônica e nunca sentiu culpa por saber que nunca dará conta de ler todos os livros que há no mundo.

sábado, 23 de outubro de 2010

Casamento Silencioso é uma obra de arte do cinema romeno

Depois de mais uma temporada de abandono do blog, volto e prometo pra mim mesma, pela milésima vez, voltar a escrever com mais freqüência, quem sabe agora com mais tempo.
Eu não poderia deixar de comentar um filme muito bom que assisti ontem. Casamento Silencioso é uma produção de 2008 dirigida por Horatiu Malaele, entre a Romênia, Luxemburgo e França, e conta a história de um vilarejo pacato da Romênia de 1953, em que famílias se adaptam ao pós-II Guerra e a nova ordem mundial da Guerra Fria. Políticas à parte, as famílias só querem tocar suas vidas e ter paz e tranqüilidade.
Tanto que os mais jovens só pensam em namorar as filhas das vizinhas. E um desses namoros vira casamento, o que dá título ao filme. No meio da festa do casamento de Nara e Iancu, quando estão todos preparados para oficializar a cerimônia, aparece um oficial russo e decreta luto oficial e proíbe no país qualquer tipo de manifestação popular, festas, sorrisos, casamentos e até velórios por uma semana. Silêncio absoluto. Porquê? Isso aconteceu em 5 de março de 1953, data da morte de Stálin, o líder da União Soviética (que comandou a Romênia da Segunda Guerra Mundial até a Queda do Muro de Berlim). Ou seja, Stálin morre e o povo romeno foi obrigado a silenciar-se.
Mesmo com o decreto, as pessoas do vilarejo não querem deixar passar o momento tão importante para o casal. Então, de forma improvisada, realizam o casamento silencioso dentro da casa da noiva, sem ruídos, sem falas. É como se o diretor quisesse mostrar como viviam os romenos nessa época, de mãos atadas e bocas fechadas.
Demorei tanto para ver o filme que me arrependi de não ter visto antes, pois os 87 minutos são curtos mas certeiros, e o diretor usa diversas metáforas para contar como reinava a lei do silêncio. De forma cômica e um tanto esdrúxula, conseguimos entender o que essas pessoas passaram anos atrás. A sensibilidade do diretor foi responsável por uma das cenas mais memoráveis do cinema, duas na minha opinião, a do casamento silencioso em si e da aparição, com recursos visuais que lembraram muito o cinema fantástico de Meliés.
Claro que não vou detalhar as cenas, pois seria injusto com quem não viu o filme, mas vale muito a pena ser visto. Me contem depois o que acharam.
Falta só um mês para eu entregar meu TCC e minha vida voltará ao normal, com dicas diárias, se possível, mas por enquanto, vou escrevendo sempre que der, ou sempre que tiver uma obra de arte tão refinada quanto este filme para comentar.
Parece que o cinema romeno está com tudo, e agora o próximo passo é assistir Como eu Festejei o Fim do Mundo, produção do mesmo país. Eu conto depois.
Beijos e bom fim de semana.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Sonhando Acordado - Mais um filme de Michel Gondry

Meu Deus, que sumiço. Abandonei o blog por esses dias. Mudança de rotina, de trabalho fizeram com que me afastasse um pouco daqui, mas já estou de volta.
Hoje trago uma dica bem divertida para quem gosta de filmes com viagens oníricas. Ontem não aguentei ver o debate, e zapeando vi um filme no TC Cult: Sonhando Acordado (2006) com Gael Garcia Bernal e a francesa Charlotte Gainsbourg ( de Anticristo), escrito e dirigido por Michel Gondry, meu queridinho. Digo isso porque ele é o diretor do meu filme favorito: o Brilho Eterno (neste ele contou com o roteiro de Charlie Kauffman). Mas em Sonhando Acordado ele faz tudo sozinho, e viaja um pouco mais.
Ele conta também um romance, entre o filho da síndica de um prédio e uma inquilina, ele se chama Stefháne e ela Stefhanie. O romance, que se passa na França, começa de forma improvável, pois Stepháne na verdade fica afim da amiga de Stephanie primeiro. Mas a amizade entre os dois os aproxima mais e mais até compartilharem os mesmos sonhos.
Falar assim é resumir de forma simplista o que o filme na verdade é. Trata-se de uma viagem ao mundo dos sonhos de Stepháne, um cartunista que consegue um emprego medíocre indicado por sua mãe.
Filho de um mexicano com uma francesa, ele vai a Paris para viver mais perto da mãe depois que seu pai faleceu. Toda noite ele tem sonhos bizarros que envolvem sua família, sua infância, os acontecimentos do dia e coisas que estão por vir.
O engraçado desse filme é que o diretor não usa super efeitos especiais para retratar os sonhos, como acontece no filme A Origem, por exemplo. O estúdio de TV é feito com caixas de ovos, papelão, celofane. Outros recursos também são bem artesanais e bem visíveis, e isso não tira o onírico e a magia do filme. Muito pelo contrário.
Mostra que a emoção que o cinema proporciona está acima de efeitos especiais. Um breve retorno a Mélies.
O filme é bem fofo, vale a pena.

Espero que assistam, suportem e gostem. Beijos