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quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Apenas uma vez



Apenas uma vez (Once), de John Carney é um filme fofo, como comentou meu professor antes de mostrá-lo. Quando ele disse isso fiquei apreensiva, pois romance não é meu gênero favorito. Logo de cara, com a capa do DVD e as primeiras imagens, já notei que terei mais música do que talvez eu pudesse suportar. Amo musicais, mas quando tem muita música e atores cantando ( às vezes sem muito talento para a coisa) me desanimam.
Devo confessar que me surpreendi, que bom né. O filme é muito bem feito e delicado, e conta a história de um rapaz que é músico nas horas vagas pelas ruas de Dublin e ajuda seu pai consertando aspiradores de pó. Ele conhece uma moça tcheca nas ruas e descobrem que têm em comum o gosto e talento para a música.
Ele toca violão e compõe, e ela toca piano. A partir daí, os dois tornam-se amigos e fazem parcerias musicais, ela o ajuda a gravar um CD numa gravadora, pois acredita no talento dele.
Até aí parece óbvio que vai surgir um romance entre os dois, mas o filme é muito mais do que isso.
Ambos, apesar de estarem muito próximos e compartilhando o amor pela música, possuem um passado do qual não conseguem se desprender. Ele sofre de amores por uma mulher que o traiu e foi para Londres e ela deixou o marido na República Tcheca. Interessante como eles se respeitam e se ajudam, e passam por cima do desejo que sentem para reconstruir suas vidas separadamente. É aquele tipo de história de amizade fraternal em que eles passam um período juntos, aprendem um com o outro e seguem seu rumo, mas mantém as marcas de cada um na sua vida, como uma mudança positiva e fundamental. A pitada da cereja que faltava.
No decorrer do filme, as canções são tocadas a todo momento e são a base que move a história. O ator que interpreta o Cara é o músico Glen Hansard da banda The Frames, e a Garota é Markéta Irglová, ambos inexperientes no cinema mas demonstraram muita segurança nos papéis.
A fotografia do filme nos mostra a Irlanda urbana, é um descanso aos olhos das ruas hollywoodianas.
Tecnicamente falando, o filme foi feito com uma câmera digital e parece ser documentário em alguns momentos, pois ele dá a impressão de ter sido feito com a técnica "câmera na mão", um tom de realidade com as irregularidades das imagens.
A trilha sonora é fantástica. O filme é realmente muito fofo. Vale muito a pena, recomendo.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Watchmen - Existencialista e humano


Nunca fui muito de ler quadrinhos, sempre achei que era coisa para menino. O único que eu comprava às vezes era o nacional Turma da Mônica, e olhe lá. Por ser uma apreciadora da sétima arte, sempre conheci os quadrinhos através da telona, nas adaptações nem sempre tão fiéis para o cinema.
Este tipo de filme também sempre fica em segundo plano, principalmente as adaptações dos quadrinhos Marvel. Sei lá, gosto é gosto, mas mesmo que demore, eu sempre vejo.
Essa introdução toda é para contar que vi o Watchmen e simplesmente adorei. É claro que como todo bom filme americano de quadrinho que se preze, há aquela velha dicotomia EUA x Mundo ( leia-se russos, chineses, japoneses, árabes, sei lá....), ou seja, os americanos são os bonzinhos, todo mundo quer destruir a América e os super-heróis ( claro, que são americanos) vão salvar o mundo.
Até aí, beleza. Mas o filme tem uma produção de arte muito bem feita, com trilha sonora que casa perfeitamente com cada momento, mesmo na cena inicial quando uma luta é travada ao som de Unforgettable. As cenas que denotam o passado no início do filme dão um toque retrô à produção, e conta rapidamente, mas com esmero, a história da época de ouro dos Watchmen.
Quem espera ação do começo ao fim vai se decepcionar, pois a batalha é psicológica, mais que tudo.
Conforme o filme vai se desenvolvendo, você percebe que não se trata de uma simples produção de guerras e "vamos salvar o mundo", apesar de ter essa mesma linha.
Mas quando os heróis estão tentando salvar o mundo, percebi que eles estavam tentando salvar a si mesmos. Eles sofrem conflitos humanos e existenciais como todos nós, e travam uma batalha ética e moral consigo e com os outros o tempo todo. Cada característica pessoal do personagem não deixa de ser um reflexo da sociedade, como a psicose de Rorscharch ou o cinismo e sadismo do Comediante e busca da identidade de Jupiter.
O filme é muito filosófico e testa nossa capacidade de discernimento da realidade o tempo todo, como se no fundo todos fôssemos super-heróis de nós mesmos e ao invés de salvar o mundo, estamos acabando com ele. "Vale matar milhares para salvar bilhões?", é um dos questionamentos do filme. "homens são presos, animais são mortos" também.
Podemos ver claramente que por trás daquela roupa de lycra também bate um coração cheio de conflitos e buscando se encontrar, como todo mundo.
A história traz reflexões sobre a condição humana, a ética, a nossa parcela de culpa em ser o que somos e viver bem só depende de nós, mas segundo o filme, nós não queremos isso. O ser humano está se definhando aos poucos, em todos os sentidos.
Além do caráter psicológico, o filme vai fundo na questão geopolítica do período, 1985, quando o mundo vivia a iminência da Guerra Fria, e um ataque nuclear entre as duas potências mundiais era esperado a qualquer momento.
Vale muito a pena as 2h43min de filme. Mas não vá esperando muito ação, pois a palavra de ordem deste filme é reflexão.
Acho que vou até comprar a revista. O filme me deixou querendo saber mais.
beijos

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

O menino do pijama listrado


A leitura de O menino do pijama listrado, de John Boyne, foi tão prazerosa que mal vi o tempo passar, e quando percebi já havia terminado as 186 doces páginas deste romance contemporâneo de um dia para o outro. Não sei mais se podemos chamar romance este tipo de literatura produzida nos anos 2000, está mais para drama, mesmo assim não deixa de ser um best seller. Sempre quero saber porquê tanto barulho em torno de determinados lançamentos, apesar de me policiar para sempre ter uma mãos um clássico, mas os apelos e comentários me rendem.
Claro que me decepciono muitas vezes, como aconteceu com A cabana, pois achei que era uma coisa e quando fui ver era outra completamente diferente. Vale como leitura, claro, mas mesmo assim o livro cai naquele segmento de autoajuda, que eu particularmente não aprecio.
O menino do pijama listrado me chamou a atenção pela capa. Aquelas listras azuis não me enganam. Antes de ler qualquer sinopse ou ver e ouvir qualquer comentário, eu já sabia se tratar de algum livro que se passa na época do Holocausto. Aí demorei mais que o esperado para lê-lo, pois este tema só me traz energias ruins, é algo que eu e o mundo quer tentar esquecer, apesar de sermos lembrados a todo momento que este incidente pavoroso existiu.
Então, ao ver as letras garrafais e a quantidade ínfima de páginas, decidi me aventurar por essas páginas, e posso dizer que não me decepcionei.
O autor parecer ter feito um livro para crianças ou adolescentes, pois sua linguagem é límpida, clara e objetiva. Tive a impressão que o autor tinha 15 anos de idade, tamanha a clareza e simplicidade de seus argumentos. Mas não se deixe enganar. O tema do livro é forte e escabroso, mas a história foi contada de maneira tão leve, que demora a cair a ficha do que está por trás de tudo isso: o nazismo.
Bruno é uma garoto de 9 anos que tem uma vida abastada em Berlim, e subitamente tem que se mudar para outro lugar, o campo de Haja-Vista, um local mais longe, menor, mais feio e sem seus melhores amigos. Apenas com sua irmã, o que ele considera um Caso Perdido. Ao chegar lá, ele tenta convencer o pai a voltar para Berlim, mas o pai é um comandante da guarda alemã e tem uma missão naquele local que ele não sabe qual é, mas sabe que foi indicada pelo Fúria ( qualquer semelhança com Führer não é mera coincidência).
Sozinho em casa, Bruno decide passear pela redondeza e conhece um garoto da sua idade, que mora do outro lado da cerca com centenas de pessoas e usa sempre um pijama listrado igual a todo mundo. Bruno não entende porquê, e na sua inocência acha que as pessoas devem se cansar de usar todos os dias as mesmas roupas. Ele também não entende porque Schmuel, seu novo amigo, está sempre com fome, tem aparência cinza e está cada dia mais magro. No íntimo, ele queria estar no lugar de Schmuel, porque ele tem centenas de crianças para brincar, quanto a Bruno, ele não tem ninguém, a não ser Schmuel, mas este não pode passar para o lado de cá da cerca.
A partir daí, Bruno começa a visitar o amigo diariamente, e os dois trocam confidências, contam histórias um para o outro e aprendem sobre suas vidas, mas não conseguem entender porque he esta grande diferença entre elas. Muito comovente. E o filme baseado na obra já está em vídeo.
Boa leitura.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Como dirigir sob efeito de 10 drogas

Pessoal
Achei esse video extremamente engraçado e gostaria de compartilhar com vocês. Chorei de rir. Está em alemão, mas as palavras que aparecem antes de cada imagem são entendíveis. Só no fim o Alle zusammen significa tudo junto. Divirtam-se! beijos

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Gay Talese é o cara do jornalismo literário




















Acabei de devorar de uma só vez dois excelentes livros do jornalista-escritor norte-americano Gay Talese, um mestre do jornalismo literário. O primeiro foi seu grande sucesso e obra prima A mulher do próximo, imprescindível para qualquer jornalista ou amante das letras que aprecie uma boa história real contada através de um texto bem trabalhado, simples, mas ao mesmo tempo encorpado.
Neste, ele passou exatos 9 anos de sua vida fazendo pesquisa de campo, de arquivo, conhecendo pessoas, lugares, costumes, comunidades e estudando o comportamento humano, para desenvolver o melhor relato da vida sexual do norte-americano nas décadas de 60 e 70 especialmente, analisando o padrão de comportamento das pessoas e autoridades a respeito do assunto. Para realizar este trabalho, ele acompanhou julgamentos de editores de obras consideradas pornográficas, frenquentou um casa de swuingue e naturistas, bordéis, contou a vida de empresários do ramo da revista pornográfica, como Playboy e PentHouse, etc.
O outro livro é o mais recente, que se chama Vida de Escritor, uma espécie de uma autobiografia em que ele se autoanalisa e conta a histórias de uns acontecimentos em sua vida não viraram livro anteriormente.
Este tem 500 páginas, que eu li rapidamente tamanha a qualidade e a leveza do texto. Recomendo ambos, e todos os outros dele que ainda não li mas já me disseram que são igualmente ótimos,
beijinhosss

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

A Garota Ideal


A Garota Ideal é o tipo de filme que você vai assistir pensando que é uma comédia pastelão daquelas bem idiotas e na verdade é um drama psicológico com ótimas interpretações. Bem melhor do que eu esperava, na verdade. Domingo de frio de chuva, só podia ser filme mesmo para passar o dia, e fiz a escolha certa.
Ryan Gosling, que é o protagonista, está perfeito no papel de um moço tímido do interior, que tem problemas de relacionamento com todos ao seu redor, inclusive com seu próprio irmão. Mora na garagem da casa da família e se recusa a ter contato muito próximo com as pessoas, e até o toque dói, segundo ele. É um sacrificío até para ele tomar um café da manhã com o irmão e a cunhada.
Até que um dia, sem mais nem menos, Lars ( o personagem de Gosling) chega na casa do irmão e diz que tem uma novidade, que está tendo um relacionamento e que a garota chegou a pouco dos trópicos.
Esperançosos, o irmão e a cunhada preparam um jantar, e se chocam ao perceber que a namorada de Lars é uma boneca sexual tamanho grande comprada por um site na internet. Lars conversa com a boneca como se ela realmente estivesse ali, fosse real. Mas como disseram no filme "ela é real, ela só não é humana".
Até aí o que eu pensava ser uma comédia acaba virando um drama, pois o filme puxa o telespectador para dentro de Lars, de seu delírio com a boneca e como ele conduz todo o relacionamento de mentira. Ele criou esta garota "metade brasileira, metade dinamarquesa", segundo ele, e a trata como se ela realmente existisse.
O casal ( irmão e cunhada) logo o levam à médica para que ela trate dele, como se estivesse tratando de um problema na pressão arterial da boneca ( cujo nome é Bianca). Enquanto a Bianca se submente ao ficctício tratamento, Lars fica conversando com a médica e aos poucos expondo mais sua vulnerabilidade e mostrando como a solidão pode fazer com que o ser humano cometa delírios deste tipo.
O que mais me chamou a atenção na história foi como o irmão e a cunhada se empenharam em tratar a boneca como um moça de verdade, e como Lars era muito querido na cidade, todos também começaram a tratar a boneca assim, até trabalho como missionária ela arrumou.
Todos faziam de tudo para que ela se sentisse em casa, e neste interim Lars ia conduzindo todo o relacionamento com a boneca, se libertando das amarras, crescendo e amadurecendo.
Achei o filme de uma sensibilidade incrível em tratar de um tema que poderia ser estranho de maneira tão sutil, e palmas vigorosas para Ryan Gosling, que está perfeito no papel, sem comentários. Assistam.
beijocas

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Não verás país nenhum


Tirei férias da pós, aliás, volto hoje à ativa, e também tirei férias do blog. Vários contratempos me afastaram do meu prazer quase que semanal de devanear sobre meus encontros com as artes. Eis me aqui novamente com uma pauta imensa e sem saber como começar.
Acho que vou falar da minha experiência com o Não verás país nenhum, de Ignácio de Loyola Brandão, escritor brasileiro que criou esta excelente obra de ficção, mas que se você ver bem, nem é tão ficção assim. O livro perturba, constrange, mexe na ferida, incomoda.
Eu fiquei muito afim de lê-lo há uns dois anos atrás, quando o escritor participou de uma feira do livro aqui na cidade e assunto em pauta do seu Salão de Ideias foi apenas este livro. Aí eu ia entrar de férias em dezembro, aproveitei para comprar o livro em um sebo por R$ 5.
Beleza, comprei o livro e ele permaneceu lá paradinho por quase dois anos, que dó. Fui passando outras leituras na frente e ele foi ficando.
Agora em julho resolvi acelerar minha estante empatada de livros adquiridos e não lidos, e para isso dei um tempo de visitar as bibliotecas. E não é que me apaixonei por este livro logo na primeira página, e em vez de ler rápido, como costumo fazer, para não perder tempo e começar a ler outras obras, me surpreendi enrolando para virar cada página, só para não ver o livro terminar.
Ele conta a história de um homem vivendo em meio a uma São Paulo futurista, o caos que a cidade e o planeta se tornam, as dificuldades para se conseguir água potável e comida, o problema do lixo, que não tem mais lugar para ir, o calor insuportável, que faz todos transpirarem o tempo tempo, a política corrupta, o sistema de divisão de classes, etc, em meio a isso os problemas sociais e de relacionamento entre as famílias e os casais, como acontece com o próprio personagem principal, um professor de história aposentado que vive questionando o novo mundo em que vive.
O livro é de uma veracidade gritante e alarmante, e complemente atual. É como citei no twitter, é um livro para se ter, ler e reler, e prestigiar o talento de Brandão para a literatura.
Fiquei até mal por ter demorado tanto com este livro, mas valeu a pena, e agora poderei relê-lo assim que quiser.
Eu se fosse você faria o mesmo. beijos

terça-feira, 14 de julho de 2009

Esculturas de Eurico Rezende


Esculturas em ferro























Adoro fazer matérias de artes, e ontem fiz uma sobre o artista plástico Eurico Rezende de Ribeirão Preto, que faleceu no mês passado, mas deixou uma obra maravilhosa. Veja a matéria que foi publicada originalmente em www.ribeiraopretoonline.com.br, e as fotos que foram tiradas por Elaine Campos na Casa Aberta, onde as obras estavam expostas. beijinhos



O escultor Eurico Rezende deixa grande acervo artístico para Ribeirão Preto

Para compreender a arte de Eurico Rezende (7/1/1960 – 9/6/2009) é preciso entender a essência humana, pois o abstrato de sua obra trabalha proporções, dimensões, volumes e formas que causam uma certa insegurança pelo seus objetivos pontiagudos, sua irregularidade linear, e talvez seja esse íntimo do homem que ele queria tocar através de sua obra. Eurico, um dos maiores artistas plásticos de Ribeirão Preto com destaque nacional, nos deixou prematuramente há um mês vítima de hemorragia digestiva alta, mas a beleza e a magnitude de suas obras vão permanecer para nossa apreciação.

Ele definia seu trabalho como um misto de pesquisas constantes e produção, para criar contradições e antagonismos , em que trabalhava com vários temas ao mesmo tempo, que eram produzidos em série. Seus objetos de trabalho eram madeira, pedra sabão, ferro, chumbo e parafina.

Artista desde sempre, Eurico iniciou na arte da escultura ainda menino, tentando entalhar madeira. Autodidata, o artista foi testando sozinho suas habilidades e começou suas grandes esculturas em pedra sabão, com a orientação de ninguém menos que Bassano Vaccarini, grande artista italiano radicado em Ribeirão Preto que já trabalhava com este material. A escola não poderia ter sido melhor para influenciar toda a obra abstrata e contemporânea de Eurico, que sempre pedia orientação de Bassano nos primeiros trabalhos.

Paralelamente à sua arte, Eurico trabalhou na TV Manchete e na EPTV, na área de iluminação e operação de vídeo, mas sua paixão sempre foi a escultura. Ele participou de sua primeira exposição em 1986, e em 1990 montou seu primeiro ateliê, juntamente com outros artistas como Jair Correia e Maurilima, entre outros, para poder se dedicar integralmente à sua vocação artística. “O Eurico fazia o que ele queria com o material, não importando o que queria dizer. Ele era livre em seu trabalho”, comenta a artesã Lena Ehrhardt, esposa do artista plástico Ricardo Ehrhardt e amiga de Eurico. “Participamos juntos de várias exposições, mas a que me marcou foi a da Oficina da Cultura em 1992”, comenta Ricardo.

Após esta fase, em 1997 Eurico montou seu próprio Atelier com o artista Paló, ministrava cursos e oficinas de artes e trabalhar em suas esculturas. Hoje, Paló está cuidando do ateliê, de suas obras e as de Eurico.”A obra dele é bem coerente e gosto do período mais recente dele, pois mostra a sua maturidade. As pessoas também apreciam muito suas esculturas em ferro fundido e pedra”, comenta Paló. Ambos já fizeram experimentações artísticas em comum. ”Eu trabalho mais com pintura, mas nós costumávamos fazer experiências juntos com sucatas também”, afirma.


Últimas exposições :

• XXXIX Salão de Arte Contemporânea de Piracicaba (SP)- nov/2007
• 7ª Mostra João Turin de Arte Tridimensional -Curitiba(PR)- set/2005
• XXIX SARP – Salão de Arte Contemporânea Ribeirão Preto (SP)- ago/2004
• 6ª Mostra João Turin de Arte Tridimensional – Curitiba(PR)- set/2003
• XXVIII SARP – Salão de Arte Contemporânea Ribeirão Preto (SP)- ago/2003
• 21º Salão de Arte Pará – Belém (PA) – outubro/2002
• I Salão Nacional de Arte de Ouro Preto (MG) – julho/2001
• XIII Salão de Artes Plásticas de Praia Grande (SP) – julho/2001
• 20th Tenri International Art Competition-Tenri Biennale-2001- Tenri- Nara-Japão-Abr/2001
• VIII Salão de Arte Contemporânea de São Bernardo do Campo (SP) – Ago/2000
• IX Salão Paulista de Arte Contemporânea – São Paulo (SP) – Mar/2000
• 30º SAC – Salão de Arte Contemporânea de Piracicaba (SP) – Out/99 (obra comentada)

Últimos prêmio recebidos:

• Referência especial do júri - XXXIX Salão de Arte Contemporânea de Piracicaba (SP)- nov/2007
• Prêmio Aquisição – VIII Salão de Arte Contemporânea de São Bernardo do Campo (SP) – Ago/2000
• Menção Honrosa – XXII Salão de Artes de Araraquara (SP) – mai/98
• Grande medalha de Bronze – 21º SLAC –Salão Limeirense de Arte Contemporânea – Limeira (SP) – nov/97

O Atelier fica na rua Comandante Marcondes Salgado, 1840, no Boulevard em Ribeirão Preto.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Ponto de Vista


Nem sou tão fã de filme de ação e tiroteios, apesar de ser filme, mas às vezes me arrisco, pois quero assistir tudo mesmo. É uma vontade incontrolável, e a briga é muito boa entre ver filme e ler, geralmente faço os dois diariamente, mas algum sempre sai em vantagem em determinado dia, afinal, sou humana. No fim de semana me dediquei ao cinema, apesar de ter ligo algumas 100 páginas do Filosofia em Comum, da Márcia Tiburi ( aliás, recomendadíssimo) e vi uns 5 filmes, entre eles o Ponto de Vista (2008) com Dennis Quaid no papel principal. Achei o roteiro demais, muito criativo. Enrolei tanto para ver esse filme, passei outros na frente, já cheguei até a começar, por 15 minutos mas parei, pois achei que era chato. Aí enfim me rendi "Preciso ver para ter uma opinião, oras", pensei comigo mesma, e foi que fiz.
A história se passa na Espanha em uma reunião de cúpula em que o presidente norte-americano pode ser alvo de uma ação terrorista. Por isso, a guarda presidencial providencia um esquema de segurança impecável, até contratam um dublê, que chique. No meio da apresentação do presidente, ele sofre um atentado (o dublê na verdade), e o filme todo acontece de acordo com 8 perspectivas das pessoas que participam da ação, como o segurança ( Dennis Quaid), um policial espanhol, um turista ( Forest Whitaker), a menina que tomava sorvete com mãe, etc. Até o momento do tiro, o filme retrocede e mostra como cada personagem foi parar ali e o que ele viu, ouviu, e assim a história vai se construindo, e sua opinião a respeito dos personagens vai mudando, pois a história vai se desenvolvendo de acordo com o ponto de vista de cada um.
Apesar de parecer confuso, o roteiro é bem amarrado, e as cenas de ação não deixam a peteca cair. Só peca nessa chatice nacionalista, neste patriotismo exagerado que só os americanos conseguem, e já se tornou um clichê.
Fora isso, Forest Whitaker está brilhante, assim como os demais atores não tão conhecidos.
Quem se aventurar, desejo um bom filme.
beijos

terça-feira, 30 de junho de 2009

O Outro


Acabei de ler O Outro, de Bernhard Schlink, na verdade, o li em apenas um dia porque tem só 96 páginas. É o segundo livro deste autor que leio depois de O Leitor. Gosto da narrativa dele por ser bem direta, objetiva, seca até, como diria alguns. Mas mesmo assim, ele consegue passar todos os conflitos internos dos personagens brilhantemente.
Só achei que este ele poderia ter desenvolvido mais, pois me parece um conto, e não um romance. A história é ótima, e fica sempre aquela dúvida no ar.
Após a morte de sua esposa, um senhor descobre em suas coisas cartas de um possível amante. O Outro volta a escrever e Benner, o marido, passa a se corresponder com ele como se fosse a mulher, para ter mais informações se os dois poderiam estar tendo um caso. A correspondência flui até que os dois ficam frente a frente.
A consistência da traição da mulher não é tão explorada, mas sim a angústia do marido ao saber que conhecia pouco sua mulher e a inconformidade de ela ter tido um caso com um sujeito completamente diferente dele, em todos os aspectos. Bom livro.
beijos

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Carlos Heitor Cony fala sobre literatura e jornalismo na Feira do Livro de Ribeirão Preto




Na tarde de quarta-feira (24/6), o Salão de Ideias da Feira do Livro recebeu o jornalista e escritor Carlos Heitor Cony, que atualmente é membro da Academia Brasileira de Letras e cronista regular da Folha de S. Paulo. Cony tem mais de 80 obras entre romances, ensaios, traduções, adaptações, coletâneas de contos e crônicas.

Um dos motivos da vinda do escritor a Feira foi o relançamento do seu primeiro romance O Ventre, que teve sua primeira edição publicada em 1955, e a última em 2008.

Sobre ser jornalista e escritor, ele separa muito bem as duas funções. “Eu entrei no jornal muito jovem para substituir meu pai, aprendi na prática. Eu separo muito bem literatura de jornalismo, pois são duas coisas diferentes. Eu também não faço jornalismo literário, eu faço jornalismo do dia a dia, que eu sei que é datado, perde a validade no dia seguinte. Mas quando eu faço um romance, sei que posso lê-lo de novo 50 anos depois, como é o caso de O Ventre”, explica Cony. Sobre o diploma de jornalismo, Cony diz que é contra a obrigatoriedade. “Os grandes jornalistas desse país eram semi-analfabetos, e conheço muita gente com diploma que não faz jus ao cargo”.

Cony conta um pouco de sua história, suas diversas prisões políticas junto com Antonio Calado e Glauber Rocha, que o fizeram parar de escrever por 23 anos, pois ele sentiu que sua literatura não fez com que mudasse o mundo no pós-guerra e na ditadura militar. “As série de prisões me amorteceram. Achei que escrever não resolvia nada, então parei”, comenta.

Após a retomada ao mundo das letras, Cony escreveu o autobiográfico Quase memória, em que a plateia questionou o conteúdo do pacote que ele cita no livro e que não foi aberto, o que deixou os leitores sem saber o que tinha lá dentro. “O conteúdo do pacote não importa na verdade, o que importa é a história. Nunca pensei em revelar , e não vou fazer isso”.

Este é Carlos Heitor Cony, que no final da palestra disse que uma família de ciganos roubou o bebê de sua mãe e deixou “um monstro disforme” no lugar, que seria ele. “Não vou dizer se essa história é real ou não, mas é a história que eu conto”.

terça-feira, 23 de junho de 2009

Márcia Tiburi na Feira do Livro 2009


















A filósofa Márcia Tiburi foi a convidada do Salão de Ideias desta segunda-feira (22/6) da 9ª Feira do Livro. Participante da feira há três anos, nesta edição Márcia foi surpreendida por ter como seu mediador o ator Paulo Betti. Segundo os dois, nem um nem o outro sabia que iam integrar juntos o bate-papo filosófico.
Paulo Betti começou dizendo que era estreante na função de moderador e não sabia muito bem como se comportar. “O ator é misto de vaidade extrema e insegurança”, comentou. Fez uma piada sobre a vaidade do ator e assim, deu início ao Salão de Ideias como uma boa dose humor.
Márcia aproveitou essa introdução para falar sobre as máscaras que as pessoas usam no dia a dia, como os atores, que interpretaram vários papéis. Mas antes, agradeceu mais um convite para vir à nossa Feira do Livro. “Eu gosto muito de vir aqui porque as pessoas de Ribeirão gostam muito dessa feira, e eles fazem tudo com tanto carinho e a organização é sempre tão gentil, que isso me deixa muito contente em estar aqui pela terceira vez”, afirma.
Márcia Tiburi é graduada em filosofia e artes e mestre e doutora em filosofia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Publicou as antologias As Mulheres e a Filosofia (Editora Unisinos, 2002), O Corpo Torturado (Ed. Escritos, 2004), e Mulheres, Filosofia ou Coisas do Gênero (Edunisc). Publicou os ensaios Uma outra história da razão (Ed. Unisinos, 2003), Diálogo sobre o Corpo (Escritos, 2004), Filosofia Cinza - a melancolia e o corpo nas dobras da escrita (Escritos, 2004), Metamorfoses do Conceito (ed. UFRGS, 2005). Publicou os romances Magnólia (2005) e a Mulher de Costas (2006), da série Trilogia Íntima (Ed. Bertrand Brasil).Atualmente, ela é professora do programa de pós-graduação em Arte, Educação e História da Cultura da Universidade Mackenzie, colunista da Revista Cult e participante do programa Saia Justa, do canal GNT.
Em 2008 publicou Filosofia em Comum - para ler junto (Record), que segundo ela, é voltada para o público que não é especialista e está fora do meio acadêmico. “É um livro para discutir o pensamento crítico e filosófico para tudo o que não é a minha visão de filosofia”, explica Márcia.
A autora fez uma discussão sobre a sociedade do espetáculo e recomendou o livro de Guy Debórd ( A sociedade do espetáculo). Além disso, falou sobre retórica, que é a arte de falar para entreter e convencer. “O que fiz até agora foi retórica. A filosofia só aparece quando desmanchamos a retórica, ou seja, filosofia é a desconstrução do discurso”, completa.
Após responder a vários questionamentos sobre linhas filosóficas, política e poder, Márcia autografou livros e deixou os participantes com aquela dúvida na cabeça, que só a filosofia consegue deixar, e com a vontade de saber mais.


Esta matéria foi publicada no www.ribeiraopretoonline.com.br
PS. A palestra foi muito boa, e recomendo muitissimo o livro Filosofia em comum - Para ler junto, que já estou devorando, e os outros dela, apesar de ainda não ter lido. Mas vale a pena, pois Márcia Tiburi tem um conteúdo vastíssimo e nos deixa com orgulho imenso de ser mulher.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Feira do Livro em Ribeirão Preto de 18 a 28 de junho

Hoje é aniversário de minha cidade, Ribeirão Preto. Entre outras atividades, está acontecendo a 9ª Feira Nacional do Livro, que vai de 18 a 28 de junho no centro da cidade, em que reunirá diversos autores de todo o país e shows de vários cantores nacionais consagrados como Adriana Calcanhoto, Vanessa da Mata, Oswaldo Montenegro, Luiz Melodia, Paula Toller, Maria Rita, Toquinho, entre outros. Veja a programação completa no site da Feira do Livro.
Espero que venham, curtam e adquiram muitos livros.
PS. Em 3 minutos andando na feira adquiri 2 livros do Nietzsche por R$ 3 cada um, vale a pena procurar promoções.
beijos

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Quem quer ser jornalista aí?!?!

Ontem, um bando de deputados se juntaram para votar na questão da obrigatoriedade do diploma de jornalista. É, eles conseguiram. Claro, e alguém tinha alguma dúvida. Agora qualquer pessoa pode ser jornalista, não é mais obrigatório fazer universidade. Os cursos de jornalismo vão ter que se readequar para essa nova realidade. Boa sorte à todos.

Cai exigência do diploma de jornalismo

Sérgio Matsuura e Izabela Vasconcelos

O diploma para o exercício da profissão de jornalista já não é mais uma obrigatoriedade no Brasil. Por oito votos a um, o Supremo Tribunal Federal considerou incompatível com a Constituição a exigência da graduação em jornalismo para o exercício da profissão, em votação do Recurso Extraordinário 511961, nesta quarta-feira (17/06).

Os ministros Gilmar Mendes, Carmen Lúcia, Ricardo Lewandowski, Eros Grau, Carlos Britto, Cezar Peluso, Ellen Gracie e Celso de Mello votaram contra a exigência. Apenas Marco Aurélio Mello votou a favor da obrigatoriedade do diploma.

No início da sessão plenária, as teses se dividiram entre a posição defendida pelo Sindicato das Empresas de Rádio e Televisão no Estado de São Paulo e o Ministério Público Federal (MPF), contra a obrigatoriedade do diploma, e a Federação Nacional de Jornalistas (Fenaj), com o apoio da Advocacia Geral da União, sustentando a exigência.

Gilmar Mendes, relator do recurso, defendeu a autorregulação da imprensa. “São os próprios meios de comunicação que devem definir os seus controles”, afirmou.

Mesmo sem a exigência de diploma, os cursos de jornalismo devem continuar existindo, argumentou Mendes. “É inegável que a frequência a um curso superior pode dar uma formação sólida para o exercício cotidiano do jornalismo. Isso afasta a hipótese de que os cursos de jornalismo serão desnecessários”, avaliou.


Fonte: Comunique-se

terça-feira, 16 de junho de 2009

O caderno rosa de Lory Lamby


Nunca tinha lido nada da obra de Hilda Hilst até cair em minhas mãos O caderno rosa de Lori Lamby. Um livro que mexe com os sentidos de qualquer um, por se tratar de literatura erótica, e também por ser uma pegadinha literária e psicológica de gênio.
Segundo li, ela fez este e mais outros dois livros neste tom para ganhar dinheiro em uma época que passava dificuldades, e que não era conhecida por suas peças, poesias e prosas. Ela resolveu então escrever algo que as pessoas quisessem ler e que vendesse, coisa que também ela faz alusão no livreto.

O livro conta a história de uma menina de 8 oito anos que está escrevendo um diário para ajudar seu pai escritor a publicar um livro que chame a atenção. De acordo com sua história, a garota é usada sexualmente por homens mais velhos em troca de dinheiro com o consentimento dos pais. A partir daí, a menina relata tudo o que eles fazem neste diário rosa.

Olha um trecho só para ter ideia: "Papi não está mais triste não, ele está é diferente, acho que é porque ele está escrevendo a tal bananeira, quero dizer a bandalheira que o Lalau quer. Eu tenho que continuar a minha história e vou pedir depois pro tio Lalau se ele não quer pôr o meu caderno na máquina dele, pra ficar livro mesmo. Eu contei pro papi que gosto muito de ser lambida, mas parece que ele nem me escutou, e se eu pudesse eu ficava muito tempo na minha caminha com as pernas abertas mas parece que não pode porque faz mal, e porque tem isso da hora. É só uma hora, quando é mais, a gente ganha mais dinheiro, mas não é todo mundo que tem tanto dinheiro assim pra lamber. O moço falou que quando ele voltar vai trazer umas meias furadinhas pretas pra eu botar. Eu pedi pra ele trazer meias cor-de-rosa porque eu gosto muito de cor-de-rosa e se ele trazer eu disse que vou lamber o piupiu dele bastante tempo, mesmo sem chocolate....."

Leitura forte, que trata de temas como pedofilia, pornografia, mercado editorial.
Se tiver coragem, leia.
beijos

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Noites de tormenta para noites frias


Junho é um ótimo mês, o friozinho instala em minha cidade. Nada mais que uma semana, mas mesmo assim dá até para imaginar que o frio dura três meses. E quando o tempo está assim, nada melhor que uma pipoca, edredon e filme. Pra quê mais?
Bom, hoje vou indicar um filme que nem é meu favorito e nem amei tanto assim, mas combina direitinho com esses dias frescos e cai muito bem nesta semana dos namorados. É o Noites de Tormenta, de 2008 com Richard Gere e Diane Lane ( o casal de Infidelidade repete a dobradinha).
Assisti semana passada, e apesar de ter achado previsível e clichê, é o tipo de filme que todo mundo gosta, principalmente quem curte romance.
Conta a história de uma mulher que está tentando decidir se volta ou não para o ex-marido, que após trocá-la por outra, está arrependido e quer voltar. Ao se afastar dele para cuidar da pousada de uma amiga, ela fica sozinha, e em uma situação que só acontece em filme, ela conhece e se apaixona pelo único hóspede da pousada, ele mesmo, o Richard Gere.
Bom, o resto só vendo o filme mesmo. Apesar de ter preferido Infidelidade ( mas que todo mundo já assistiu), este teve uma abordagem singela, e no dia que eu vi eu estava tão sensível que até sentí uma lágrima furtiva encorrendo. E oha que não sou disso. Então, quem curte o gênero é melhor comprar estoque de lenços de papel.
Bom filme, beijos

terça-feira, 26 de maio de 2009

19° Festival Forró da Lua Cheia traz Gilberto Gil, Arnaldo Antunes e Mundo Livre S/A

Nascida em 1986 com o intuito de reunir os amigos e curtir uma boa música, o Forró da Lua Cheia completa seus 19 anos e, sem dúvida, em grande estilo.

Com o passar dos anos o festival mudou um pouco seu objetivo, pretendendo atingir um público diferenciado, a festa permaneceu no gosto dos adeptos, que todos os anos estão presentes para curtir o melhor do forró.

Mesmo com a mudança de foco, o município de Altinópolis ainda mantém a tradição de promover um evento da cultura regional, da arte e da música, e é por isso que todos os eventos são abertos a diversas bandas regionais, artistas, atores, artesãos dentre outras diversas expressões artísticas e culturais.

O evento começa a partir das 23h, da sexta-feira (5/7) e termina só no domingo (7/7). Entre as atrações principais do evento estão Mundo Livre S/A, Arnaldo Antunes e Gilberto Gil.

Os convites estão a venda no Vale das Grutas Hotel Fazenda, Jungle, Tent Beach, Porto Açai, Beerblioteca e Bar do Ali. Mais informações sobre os shows e/ou caravanas pelos telefones: (16) 3610-2573 / 3610-2910 / 3610-0408

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Frases de Clarice Lispector que eu gostaria de ter dito

"Liberdade é pouco. O que eu desejo ainda não tem nome."

"Não quero ter a terrível limitação de quem vive apenas do que é passível de fazer sentido. Eu não: quero uma verdade inventada.

"A palavra é o meu domínio sobre o mundo."

"Minha força está na solidão. Não tenho medo nem de chuvas tempestivas nem de grandes ventanias soltas, pois eu também sou o escuro da noite."

"Sou como você me vê.
Posso ser leve como uma brisa ou forte como uma ventania,
Depende de quando e como você me vê passar."

"Não tenho tempo pra mais nada, ser feliz me consome muito."

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Albergue Espanhol e Bonecas Russas


A atriz britânica Lucy Gordon é encontrada morta em seu apartamento em Paris. Sinceramente quando vi a foto dela em todos os sites hoje nem havia me dado conta de quem era, tão pequenas foram suas participações em filmes. Ela fez uma ponta em Homem Aranha 3, e depois fiquei sabendo que ela fez Bonecas Russas de Cédric Klapisch de 2005, um filme que adorei e indico hoje. Mas antes é preciso ver Albergue Espanhol, pois o Bonecas Russas é praticamente uma continuação dele.
Do mesmo diretor, mas produzido em 2002, Albergue Espanhol conta a história de um francês que decide viver um tempo na Espanha para aprender o espanhol, e passa a morar em um albergue de estudantes e dividir a casa com pessoas de várias partes do mundo. O filme é falado em várias linguas ( inglês, espanhol, alemão, francês) e mostra a cultura e intercâmbio de países e a amizade inusitada que pode surgir deste grupo.
Em Bonecas Russas eles já estão adultos, o francês está fracassado como escritor, e decide reencontrar seus antigos amigos de albergue na Rússia, para o casamento de um deles.
Dois filminhos bem leves e divertidos, co-produzidos entre França e Reino Unido, e que fogem totalmente daquele padrão de filme para adolescente dos norte-americanos.
beijos

quarta-feira, 20 de maio de 2009

O Sári Vermelho





















Adoro livros-reportagem, principalmente porque sou jornalista, e ver o nosso ofício misturado à literatura, muitas vezes de maneira encantadora, só me entusiasma. É o caso de O Sári Vermelho, do indiano Javier Moro. Como a Índia está na moda, nada melhor que ler um romance-reportagem de primeira falando daquele país.
O autor conta a história real da italiana de classe média Sonia Maino, que se apaixona por Rajiv Gandhi, indiano filho da primeira ministra da Índia. Rajiv faz parte de uma das famílias mais tradicionais da Índia e que estava no poder por gerações quando se conheceram. Eles se casam, e Sonia passa a viver em um país com cultura e tradições totalmente diferente das suas. Sonia abraça a India como se o país fosse seu, e passa a viver como aquele povo, que crê em centenas de divindades e tem tantos partidos políticos como dialetos.
O autor fez um excelente trabalho de pesquisa, em um livro que tem romance mas principalmente o relato da história política e econômica de uma das maiores nações do mundo.
Are baba! ( seja lá o que isso signifique....ouvi da novela hehe)

segunda-feira, 18 de maio de 2009

As garotas do calendário voltaram

Momento do filme em que elas se preparam para fotografar

As garotas do calendários estão de volta. Adorei a notícia que vi semana passada, sobre as senhorinhas britânicas que posaram nuas para conseguir grana para o hospital local em 1999, agora posaram de novo para o calendário 2010. Elas têm mais de 50, algumas bem mais ( até 82 anos).
Na época em que elas posaram pela primeira vez, a história causou tanto furor que elas foram tema do filme que eu indico hoje, o Garotas do Calendário, de 2003, estrelado por Helen Mirren.
As senhoras, que se dedicavam a confecção de doces, geleias, jardinagem e tricô, resolvem se unir quando o marido de uma delas morre de leucemia. A partir daí, formam um movimento para ajudar o hospital local. A campanha consiste em fazer um calendário com uma integrante do Women's Institute ( o grupo delas) para cada mês, cada uma mostrando uma prenda de seus dotes domésticos, mas para chamar a atenção e conseguir o dinheiro, elas decidiram fazer as fotos nuas.
O filme é muito bem feito, de extremo bom gosto, assim como as fotos e a campanha inusitada a que elas se dedicaram.
Ótima pedida, beijos

sexta-feira, 15 de maio de 2009

A montanha e o rio


A Montanha e o Rio é o tipo de história que daria uma belo roteiro de filme. Tem drama, ação, romance, conflito familiar, história e política. Conta a história de dois irmãos, filhos do mesmo pai mas de mães diferentes que são criados sem saber da existência um do outro e seguem destinos completamente diferentes, até que a vida deles se cruzam quando sem saber, se apaixonam pela mesma mulher.
Quando estava lendo o livro só conseguia imaginar quando Hollywood vai filmá-lo. Mesmo que alguns capítulos se arrastem, e demorem a concluir, é uma ótima leitura. A narrativa se torna interessante porque os capítulos são contados em primeira pessoa, cada hora por um dos irmãos, assim temos a visão dos dois, e também pela namorada deles. Assim, a cada momento você torce para um, quando os personagens vão se descortinando e a história desenrolando e tomando rumos cada vez mais inesperados.
beijos

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Uma pitada de filosofia

"Aquilo que se faz por amor, parece ir sempre além dos limites do bem e do mal." Friedrich Nietzsche

quarta-feira, 13 de maio de 2009

A Via Láctea


Semana passada vi um filme nacional de arte maravilhoso, A Via Láctea, da diretora Lina Chamie ( será que é filha do poeta??!!?). Bom, o filme bem ousado para os padrões nacionais, conta a história de um casal que está sofrendo a dor da separação. Heitor ( Marco Ricca) é um professor de literatura mais velho que Júlia (Alice Braga), que é atriz, mas deixa a profissão para ser veterinária. Após uma discussão por telefone eles terminam, e Heitor sai de casa correndo pelas ruas de São Paulo para tentar reatar o namoro. A partir daí a história passa a ser contada de forma fragmentada todos os principais momentos do casal e como se conheceram. A diretora mostrou bastante a cidade de São Paulo, o caos urbano do trânsito, as luzes da cidade, o cheio e o vazio. Além disso, alguns personagens coadjuvantes falavam direto com os persongens principais sobre o rompimento da relação, mesmo sem saber de nada, em forma de metalinguagem, o que achei muito diferente e bem usado.
A lírica do filme está em mostrar os sentimentos humanos, e não as ações, por isso a impressão de monotonia e de as cenas se repetirem, mas a diretora mostra a visão de cada um na cena. O que mais amei no filme é o dialogismo entre literatura e cinema, minhas duas artes favoritas. A mistura deu muito certo de uma maneira inusitada. A literatura é ponto muito forte, pois o tempo tempo é declamado trecho de um poema, de uma peça ( por ela ser ex-atriz) autores são citados em suas conversas, textos e trechos de poemas são citados em seus pensamentos e na narração da história, enfim, uma união perfeita.
Filme profundo, artístico, ousado e literal, literalmente, hehe
beijos

terça-feira, 12 de maio de 2009

Medéia, de Eurípedes

A maioria das pessoas deve pensar: porque eu leria uma tragédia grega escrita há 2500 anos? Bom, eu nunca faria essa pergunta porque eu leio, e adoro, e é através desses textos que podemos comprender a cultura do povo mais culto do início da civilização ocidental.
Os gregos faziam competições de peças teatrais em suas festas dedicadas do deus Dionísio, no final de cada colheita. Era uma maneira deles agradecerem o alimento que a terra produzia.
O engraçado é que eles agradeciam de maneira pitoresca. Era feita uma super festa, estilo carnaval, em que os gregos bebiam vinho o dia todo, e saiam às ruas em procissão empunhando um falo gigante. É pessoal, era o símbolo da fertilidade e não havia esse pudor que temos hoje.
A partir daí, eles iam para os theatron assistir as peças, e chegavam a passar quase 6 horas cerca de três peças. Bêbados, alegres, felizes, e apreciando a narrativa dos dramaturgos.
Nesta época, surgiram diversos escritores, entre eles Esopo, Sófocles e Eurípides, este último que escreveu a tragédia grega com a personagem feminina mais intrigante da história: Medéia.
E esta é minha dica de hoje. O texto é curto, tem 50 páginas, e conta a história de uma mulher que abandona seu país para viver ao lado de um grego, Jasão, mas é traída por ele, que se casa com a filha do rei. Enlouquecida de raiva e ciúme, Medéia comete uma loucura, que não vou contar para quem ainda não conhece a história.
Vale a pena tirar uma hora do dia para conhecer os textos gregos tão ricos e tão atuais, e que contribuem para a história do mundo. Pena que de 98 peças que Eurípedes publicou, nos resta apenas 19 e alguns fragmentos.
Indico também Édipo, de Sófocles ( que é meu favorito). ;-)

sexta-feira, 8 de maio de 2009

CHE - O argentino - Viva la Revolución!!!!!


CHE O argentino é a primeira parte do longa de Steven Soderbergh que estreou ano passado, e que só consegui ver esta semana, pois só agora chegou junto com o Festival de Cinema na minha cidade. Estava ansiosíssima para ver o filme, e adorei. O diretor gastou 4h28 de película para contar a história do líder revolucionário Ermesto Che Guevara, e dividiu sua produção em dois filmes de 2 horas: O argentino e O guerrilheiro.
Benício del Toro, ator porto-riquenho que interpretou o revolucionário, ficou perfeito no papel, e disse que Che é o personagem mais marcante de sua carreira. Como o filme é falado 80% em espanhol, Benicio, que é naturalizado norte-americano e desde os 13 anos está nos EUA, teve um pouco de dificuldade, pois segundo ele o espanhol do Che era muito culto. Rodrigo Santoro está no elenco no papel de Raúl Castro, irmão do Fidel.
A primeira parte conta como ele entrou na luta armada com Fidel pela libertação política, econômica e ideológica de Cuba das mãos da ditadura militar e do domínio norte-americano. Mostra porque ele se tornou um símbolo ideológico no mundo todo, e de acordo com que eu li em um blog, aquela foto famosa dele, em que ele está usando uma boina e que está estampada em qualquer camiseta de camelô, é a foto mais famosa da história e a imagem mais marcante do século XX.
Mesmo quem não conhece a história do Che, deve imaginar que ele deve feito algo importante, pois o mito que se criou em torno dele às vezes é maior que o próprio Che.
Mas no filme, muito bem dirigido por Soderbergh, mostra o lado humano e guerrilheiro do argentino. Segundo o diretor, Che lhe interessa mais que Cuba, portanto, a segunda parte do filme se concentrá no último ano da vida de Che, em que ele fica na Bolívia treinando guerrilheiros e é assassinado, executado( segundo a excelente obra de Saulo Gomes "Quem matou Che Guevara"), pois ele tinha os sonho de libertar não só Cuba, mas toda a latinoamérica.
Che foi um ser como poucos, uma figura emblemática, um intelectual que pegou em armas para ver se realizar, através de suas próprias mãos, o sonho de ver seu país de coração fora do domínio norte-americano.
Sou fã do Che, e sou fã de Soderbergh, que conseguiu mostrar neste filme e em seu discurso o que é a raíz do comunismo, e que olhando assim de longe até que não é tão ruim, diriam os céticos. Quem é leigo no assunto saiu da sala do cinema percebendo porque Cuba incomoda tanto, porque pintam Fidel Castro como o demônio e que comunistas não comem criancinhas.
O filme demorou mas chegou, pena que o discurso veio em um período em que as pessoas não serão influenciadas pelas atitudes de Che, pois estamos tão mergulhados no emaranhado desse capitalismo selvagem que é mais confortável usar a camiseta com a figura dele do que seguir seus ensinamentos.
O importante mesmo é que não vejo a hora de ver a parte 2.
beijos

terça-feira, 28 de abril de 2009

Biblioteca Digital Mundial


A Biblioteca Digital Mundial criada pela Unesco e a Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos disponibiliza online um acervo incrível, para pesquisadores e curiosos, como eu. Saiu uma matéria sobre o assunto na Folha de hoje, e logo fui bisbilhotar.
Vale muitíssimo a pena, principalmente porque é possível ler em português, e além disso o Brasil foi responsável pelo segundo maior acervo do portal.
Entra lá e veja por si mesmo. Olha o que eu achei. Na foto acima, um mapa de Salvador feito em 1671 pelo escritor holandês Arnoldus Montanus. Não é tudo!!??!!!

segunda-feira, 27 de abril de 2009

O Corte


O Corte, do cineasta Costa-Gavras, mesmo tentando ser uma comédia não consegue escapar dos temas político e social que costumeiramente é abordado pelo diretor de Missing, Z, Amém, entre outros. Eu particularmente gosto da abordagem de Gravas, apesar dele não ser meu diretor favorito. E no filme O Corte, ele traz um tema atual em uma situação que pode parecer irreal, mas não é.
O longa conta a história de um bem-sucedido executivo da indústria do papel na França que passa por um corte de funcionários, devido a crise, e é dispensado. O problema não é só dele, pois milhares de pessoas passam por esta mesma situação. Ele começa a passar por entrevistas para conseguir trabalho, e como não se acha tão bom, tão carismático, tão competente e tão inteligente quanto os outros candidatos, ele decide tomar uma atitude para conseguir uma vaga em determinada empresa : eliminar os concorrentes. Um a um, ele encontra um jeito de assassiná-los sem deixar pistas, tudo em função do bemestar de sua família.
Vítima da situação, seu filho se envolve com um roubo de eletrônicos, também para suprir suas necessidades, e a polícia começa vez ou outra a aparecer na sua vida, trazendo suspense às cenas. Até que os assassinatos começam a chamar a atenção por terem sempre o mesmo perfil, e a polícia passa a investigar o caso.
Não vou contar mais pois o filme merece ser assistido.

Quando citei acima que a história parece louca mas não é, me referi a um caso parecido que ocorreu em São Paulo há uns 2 anos atrás. Uma mulher havia assassinado duas concorrentes a uma vaga de emprego, se não me engano. Esse caso virou piada no escritório, mas se analisarmos bem, o desespero leva as pessoas comuns e pacatas a comenterem atos criminosos para ter como alimentarem os seus. O Corte mostra bem isso, e atire a primeira pedra quem nunca pecou.
beijocas

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Dia Mundial do Livro minha gente


Que dia lindo, pelo menos pra mim que sou uma apaixonada por este monte de páginas juntinhas datilografadas, que trazem histórias, imaginação e conhecimento. Os livros deveriam ser os melhores amigos de todos, pois são os meus, estão comigo diariamente, calados, trazendo toda infinitude de sabedoria. De tantos que já li, nem sei ao certo o que indicar hoje. Na verdade, o importante é ler, leia o que quiser, o que estiver a mão, o que lhe satisfizer.
Neste momento estou lendo Chatô, de Fernando Morais, a biografia de uma figura lendária da história do país, e um grande visionário do mundo da impresa. Vale a pena conferir, mesmo para quem não é da área de jornalismo.
Infelizmente os brasileiros leem muito pouco, ou quase nada. Recentemento li uma reportagem que dizia que os brasileiros leem em média 3 livros por ano, isto é um absurdo, é muito pouco para uma nação d e190 milhões, que tem escritores maravilhosos como Clarice Lispector, Èrico Veríssimo, Machado de Assis, Lygia Fagundes Telles, Caio Fernando Abreu, entre centenas de outros. Eu contei rapidamente de cabeça e sei que eu li pelo menos uns 15 livros este ano, e olha que estamos em abril ainda. Me pergunto, porque o brasileiro não lê???
Na Colômbia se lê uns 7 livros por ano, em Cuba então, aquele paisinho que incomoda muita gente, é o que possui a população que mais lê, segundo uma reportagem que vi na Record.As pessoas lá leem uma média de 4 livros por mês. Para provar, as imagens mostravam sempre as pessoas andando pelas ruas com algum livro nas mãos, como algo que se deve sempre ter. Aqui não, no máximo se vê os estudantes carregando livros, que dizem ser obrigados a ler para a escola.
O que falta no nosso país é um incentivo mais forte à leitura, mas claro que isso não interessa ao governo. A educação para a leitura tem que começar dentro de casa, é um papel da família, os pais têm que mostrar aos filhos que é prazerozo ler, que através daquelas páginas, um mundo novo será descortinado para ele. Assim, quando ele tiver que ler os livros da escola, ele estará acostumado. Concordo que são lidos em época errada ( na 5ª série ler Machado de Assis é demais, a criança não entende, pensará que todo livro é dificil).
A maior desculpa é a falta de tempo e que o livro é caro, mas então vamos resolver esses problemas:
Falta de tempo: Incrível como todo mundo sabe a quantas anda a novela, qual foi o barraco no Big Brother e qual o novo reality show. Na segunda-feira feira, o assunto na empresa é o que rolou no Faustão e no Fantástico domingo. Agora vem me falar que não tem tempo para ler, ahhhh se situa!!! Comece pegando aquelas sobrinhas da hora do almoço, dá pra ler pelo menos umas 10 páginas. Se não quiser substituir a novela, leia um pouco depois que ela acabar e antes de ir para a cama. Aproveite a ociosidade do fim de semana, desligue o Faustão e leia.....
O livro é caro: As pessoas gastam horrores no fim de semana para relaxar, esquecer as mazelas da vida em cerveja, churrasco, baladas, almoços em família, etc. Uma caixa de cerveja custa em média R$ 50, uma peça de picanha, da última vez que vi tava uns R$ 25, fora o pão, tomate etc, já foram no mínimo R$ 75 para um churrasquinho. Se for em um bar, um casal gasta no mínimo R$ 50, e para jantar ou almoçar fora também. Conheço umas meninas que pagam R$ 100 em uma calça jeans. Um livro em um sebo da internet sai de R$ 5 a R$ 30.
Aí é preciso pesar as prioridades, mas um livro, após lido nunca é perdido, você pode trocá-lo, emprestá-lo, pegar outro emprestado, vendê-lo, ou guardá-lo para sempre.
Se não quiser comprar, porque você é como eu, se for comprar tudo o que lê vai falir e trabalhar só para isso, pegue emprestado de amigos, bibliotecas da escola, faculdade, biblioteca municipal, da associação do bairro, da ONG, do Poupatempo. Ou se for conectado, baixe na internet, baixe livros em MP3 para ouvir, se estiver com preguicinha naquela semana....ufffaaaaaa
Já dei a solução para as desculpas e várias alternativas para você ler. Me responde agora, porque os brasileiros não leem??!!??!!!
Não tem explicação, nem Freud explica!

quarta-feira, 22 de abril de 2009

A princesa negra da Disney


Os Estados Unidos precisou eleger um presidente negro para que algumas coisas começassem a mudar. Não vou citar algumas mudanças que estão em andamento, mas a que pretendo mostrar é o padrão estético, que passa lentamente a olhar o negro de forma diferente.
É de conhecimento geral que os Estados Unidos sempre foram declaradamente racistas, de uma forma até "apartheidica" ( nossa, acabei de inventar essa palavra, se lê apartáidica), forte, e para preservar sua origem branca impôs aos seus negros de seu país várias restrições. Aos poucos esta visão começou a mudar, e hoje, apesar do preconceito ainda latente, os negros melhoram de vida, já frenquentam os mesmos lugares e disputam as mesmas vagas que os brancos.
Até que o império da pós-modernidade elege seu primeiro presidente negro, a promessa de uma nova vida para uma nação em ruínas, em crise, destruída ainda mais pelo poder cego e enfadonho do ex-presidente Bush.
A partir daí, esteticamente falando, e não politicamente, as revistas começam a publicar reportagens sobre a nova família na Casa Branca. Michelle Obama (uma negra, quem diria!) passa a ser referência de moda, estilo e beleza pelas revistas norte-americanas, e em algumas revistas pelo mundo afora.
São pintados quadros com Obama e toda sua negritude, cresce o espaço que estes excluídos (?!) tinham, e que agora estão na moda.
Usei este imenso nariz de cera, como chamamos em jornalismo, só para dizer que a Disney se rendeu ao mercado e lança ainda este ano uma nova personagem princesa, a Tiana em um novo filme chamado "A princesa e o sapo". Detalhe que a princesa é negra. Isso mesmo.
Aquele padrão de loirinha de olho azul já está ultrapassado, o lance agora é ser black.
Demorou e muito para isso acontecer, pois o negro até pouco tempo não tinha nenhuma referência a sua raça e sua cultura, e se sentia excluído mesmo. Até eu que sou branca, me sinto completamente fora de contexto ao assistir Cinderela por exemplo, pois o padrão diz que a princesa é loira de olho azul e a bruxa é morena e baixinha. Meu Deus, sou uma bruxa.
Agora imagina o negro por todos esses anos vendo propagandas e filmes na TV com pessoas as quais eles não se identificam, não falam a mesma lingua. Um universo onde as mulheres são magérrimas, de cabelo liso e brancas. A não ser em propaganda social do governo, claro, sempre tem um negrinho para mostrar a integração social.
A princesa, apesar de negra, não trará nada da cultura afro, até onde sei, mas mostrará o universo dos negros classe média baixa, pois ela será um garçonete que sonhará em ter seu próprio restaurante. Ou seja, será apenas uma menina negra numa roupa de princesa nórdica, mas já é alguma coisa.

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Estômago


Estou caindo de sono, mas valeu a pena. Ontem fui dormir tarde porque não conseguia desgrudar meus olhos do filme Estômago, que ganhou diversos prêmios no Brasil e no mundo, e o último foi esta semana , o Prêmio Vivo, considerado o Oscar do cinema nacional. Ando tão apaixonada por cinema, e mal tenho dormido, para acompanhar o máximo que o dia me permite da sétima arte.
Estômago é uma obra prima do cinema nacional, simplesmente amei o filme. Primeiramente porque adoro cozinhar, e comer, é claro, então me identifiquei de pronto com a situação gastronômica do filme.
Gosto muito de histórias que envolvem gastronomia, tanto que sempre que posso assisto Ratatouille, um dos meu favoritos. Estômago é com o genial ator João Miguel, pouco conhecido da grande mídia porque não faz novelas, mas é hoje ao lado de Selton Mello, o melhor ator de cinema do país. Seu talento é gostoso de ver, dá um orgulho danado.
O roteiro do filme é simples e bom, mas a montagem, a forma como foi contada a história, com os recortes que só o cinema é capaz, tornaram o filme mágico, leve e delicioso, em todos os sentidos. ( ps. em 80% das cenas as pessoas estão comendo, bebendo vinho ou falando de comida, nem parece filme nacional dada a sutileza e riqueza com que o assunto foi abordado). O inusitado é um caipira, com sotaque nordestino, aprendendo e depois ensinando a arte de fazer e comer.
O filme conta a história de um paraibano que chega a São Paulo sem nada, apenas com pouca bagagem e sem dinheiro, até aí nenhuma novidade. Para pagar a comida, começa a trabalhar em um boteco fuleiro e passa a fazer os salgadinhos. O bar enche, pois ele, Raimundo Nonato, tem uma ótima mão para a cozinha, dom nato, mas não tem a técnica.
Um dono de um restaurante italiano gosta da comida dele no bar e o convida para trabalhar com ele no restaurante, e passa a ensinar Raimundo a arte da culinária. Entretanto, Raimundo se apaixona por uma prostituta, e todo dia a busca no trabalho e serve o jantar para ela.
Até que a cena muda de repente e Raimundo está na prisão, e dentro da prisão ele passa a cozinhar para os companheiros de cela, ser eleogiado por isso e ganha a confiança o chefe da cela.
Pulada brusca né, mas não vou contar o filme todo senão perde a graça, pois a graça deste filme não é só a história mas sim como ele foi contada. As duas histórias vão se mesclando, a que ele está dentro e a que está fora da cadeia, tanto que só no final ficamos sabendo qual o motivo dele ter sido preso. São duas fases da vida do personagem em que ele usa a culinária para sobreviver.
Prêmios super merecidos, ótimo roteiro, montagem, atuação e direção.
É nessas horas que me orgulho de ser brasileira.

terça-feira, 14 de abril de 2009

O Mundo é Bárbaro


Dica literária para relaxar, com bom humor, mas também para refletir sobre as mazelas desse mundo e para onde estamos indo, o que estamos fazendo com nosso planeta, com nossa economia, com nossa vida....Até onde vamos chegar se continuar do jeito que está?
O Mundo é Bárbaro de Luís Fernando Veríssimo.
Leiam, reflitam e depois me contem.
beijos

terça-feira, 7 de abril de 2009

A conselheira Antropófaga - Pedro Almodóvar

Sem delongas, serei breve. Amo de paixão o Pedro Almodóvar e sua obra, e suas cores, e seu estilo de contar história todo peculiar, a maneira como ele consegue traduzir o universo feminino para a tela. E em outra oportunidade falarei mais sobre ele e sua obra, mas a priori, vou postar aqui um curta que ele fez em 2008 e que adorei, claro. Completamente almodovariano, o filme é de uma conselheira tagarela que fala de mais...uma mulher colorida, como Almodóvar, muito engraçada e....bom. O filme tá aí.... beijos
http://www.youtube.com/watch?v=BXgVB_7Q7jc

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Confissões - Manuel Bandeira

Sei que já postei o Manuel Bandeira aqui, mas não resisto. Adoro este poeta, e hoje, em Ribeirão Preto, haverá uma sarau em homenagem à ele, às 20h na Paraler do RibeirãoShopping. Por isso, hoje vai um soneto dele, que adoro, e apesar das poesias moderninhas, pra mim soneto é a forma mais pura de poesia, pois as rimas se rimam totalmente. Adoro.

Confissões

Se não a vejo e o espírito a afigura,
Cresce este meu desejo de hora em hora...
Cuido dizer-lhe o amor que me tortura,
O amor que a exalta e a pede e a chama e a implora.

Cuido contar-lhe o mal, pedir-lhe a cura...
Abrir-lhe o incerto coração que chora,
Mostrar-lhe o fundo intacto de ternura,
Agora embravecida e mansa agora...

E é num arroubo em que a alma desfalece
De sonhá-la prendada e casta e clara,
Que eu, em minha miséria, absorto a aguardo...

Mas ela chega, e toda me parece
Tão acima de mim...tão linda e rara...
Que hesito, balbucio e me acobardo.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

O Passado - ou Guia da ex-mulher mais chata do mundo


Socorro! Hector Babenco conseguiu por nas telas a ex-mulher mais chata do universo. Valha-me Deus!!!!

Vi o filme O Passado essa semana, entre outras coisas, e fiquei a todo instante querendo matar a Sofia ( personagem da atriz Analía Couceyro ). O filme é uma co-produção Brasil-Argentina de 2007 e foi baseado no livro de Alan Pauls.

O filme conta a história de um casal que se separa após 12 anos de casamento, e a ex, claro, não esquece o ex-marido (o gatíssimo tudo de bom forever Gael García Bernal), e fica perseguindo-o o filme todo, destruindo tudo o que ele consegue após a separação. Como sempre, a mulher não se conforma com o fim da relação, e o cara segue em frente, assume outros relacionamentos, outros trabalhos, ou seja, vive a vida.

Sofia representa bem o que acontece com a maioria das mulheres após uma separação que elas pouco ou nada concordam. Ela é a ex rejeitada, aquela que fica ligando para o ex só para saber como ele está, quer continuar a fazer parte da vida dele, se humilha ao extremo, não quer cair no esquecimento......o tipo de mulher que eu abomino. Por isso, a achei tão chata.

Em cada cena que ela aparecia eu a repugnava. Será que esta foi a intenção do Babenco? Mostrar o quanto são ridículas ex-mulheres que são incapazes de seguir com a própria vida sem ficar se humilhando e rastejando para conseguir migalhas de atenção?

Por mais que eu amasse o cara que me separasse, jamais chegaria a tal ponto. Claro que pediria para voltar, se o amasse muito e se a vontade fosse essa. Mas dada a negativa do outro, viraria as costas e seguiria em frente. Infelizmente não foi o que a personagem fez, e o cara, de um jeito ou de outro, moved on....!

Um bom filme!

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Dois em um : Bloqueio de telemarketing e Oficinas culturais

Mês novo, vida nova, e o arzinho de outono já mudou a cara do verão desértico da minha cidade. Hoje duas notícias me deixaram mega feliz e a voltar a acreditar que nem tudo está perdido.
A partir de agora, quem mora no Estado de São Paulo pode optar por não receber as tão indesejadas ligações de telemarketing te vendendo alguma coisa, não é o máximo? O prodecimento é simples e indolor : basta entrar no site do Procon SP e fazer um cadastro, e nele, optar por não receber as ligações. Após 1 mês do cadastro, você não poderá mais receber as chamadas tão inconvenientes, e se receber, pode denunciar a empresa e ela pagará multa.
Fiquei com dó dos operadores, sei que é trabalho deles, mas fazer o quê, também tenho o direito de querer não ser interrompida no meio de uma entrevista, uma reunião ou um trabalho importante para saber se quero mais um cartão de crédito, ou que tenho 5 mil de limite na conta, ou que o setor de cama mesa e banho está em promoção, blá blá blá.....

Outra coisa que me entusiasmou e me fez ver que ainda há espaço para a cultura, mesmo que pequena, é que as secretarias culturais de diversas cidades do Estado abrem hoje inscrições para diversas oficinas culturais de dança, música, teatro, literatura, audiovisual, circo, entre outras. As oficinas são super bacanas e gratuitas. Em minha cidade acontece na Oficina Regional Cultural Cândido Portinari e nas demais cidades em suas oficinas. Para mais informações e conhecer os projetos em outras cidades da região o site é www.oficinasculturais.org.br.
Bye bye

sexta-feira, 27 de março de 2009

Entrevista com Saulo Gomes


Esta semana fiz uma das entrevistas mais importantes para minha vida e carreira. Por isso, senti a necessidade de divugá-la aqui. Saulo Gomes é uma pessoa rara, e graças a Deus ele está conseguindo documentar sua vida para deixar seu legado para nós, reles mortais. Infelizmente é espaço é curta para um vida tão cheia de vida, de histórias, de coisas para contar. Quem quiser saber mais, basta visitar o site dele.

Entrevista com Saulo Gomes, publicada originalmente no Ribeirão Preto Online.

“A vida é a soma de experiências, e no jornalismo mais ainda. Você só vai se tornar um bom profissional no dia a dia vivendo as experiências, as dificuldade, e com uma boa dose de atrevimento e coragem que o jornalista deve ter”. Foi com esta frase que Saulo Gomes abriu esta entrevista, antes mesmo de começar, apenas por eu ter feito um comentário sobre sua vida de repórter. Saulo Gomes pode ser chamado de lenda viva do jornalismo brasileiro, pois foi testemunha atuante dos principais acontecimentos do século XX. A sua história se confunde com a história do país em vários aspectos, e quase aos 81 anos, ele está mais vivo que nunca para contar. Nascido no Rio de Janeiro em 2 de maio de 1928, Saulo completa 53 anos de profissão em 2009. Mesmo afastado da grande mídia desde 2002, quando veio morar em Ribeirão Preto, Saulo hoje se dedica a documentar grandes fatos que lhe renderam grandes reportagens para transformar em livros. Além disso, ele também está escrevendo suas memórias, para que todos conheçam seu trabalho através de si mesmo.

RP Online : Gostaria de abordar neste bate-papo alguns aspectos da sua carreira jornalística, porque sei que ela é muita vasta, e falar um pouco dos seus livros, o seu lado escritor.
Saulo : Em verdade não sou um escritor, sou antes de tudo repórter. Este ano faço 53 anos de jornalismo, e tive a felicidade de poder documentar minha vida profissional em fotos, textos, entrevistas, site, matérias minhas publicadas que estou organizando no meu site. Eu documentei tudo isso e mesmo afastado sou ainda atuante. Sou um repórter que está colocando toda sua experiência em livros e DVDS. Esse tipo de repórter investigativo que sou esteja talvez em extinção, pois há hoje uma falta de apoio e de entusiasmo geral. As empresas têm mutilado muito o trabalho dos profissionais.

RP Online : E o mais interessante é que você vai escrever sua biografia.
Saulo : É a maneira de mostrar a história absoluta, é a pura realidade, não há fantasias. É muito difícil alguém escrever as emoções que eu vivi. Os jovens poderão conhecer um pouco da história política do Brasil através do meu livro, coisas que não se encontram facilmente em bibliotecas e internet.

RP Online : Acredito que quando a maioria dos jovens optam por jornalismo, é em grande parte por causa do lado investigativo, que está em extinção. O que o sr. acredita que faz com que este tipo de jornalismo hoje esteja em desuso e este profissional cada vez mais raro?
Saulo : Acredito em parte, mas sem provas, claro, que é pelo comprometimento das empresas, pois isso afeta pessoas influentes na política, na sociedade. O poder econômico prevalece sobre determinadas empresas, principalmente em televisão, pois sabemos que o custo para se manter uma TV é astronômico. Hoje é preciso ter um tipo de programa chamado rentável, e no entender desses empresários, o jornalismo não é considerado rentável. Mas o empresário esquece que o jornalismo é um importante alicerce de prestígio e segurança para as empresas.
De uns anos para cá há uma influência muito forte dos departamentos comerciais, que estão preocupados em usar todos o segundos possíveis para comercializar.
E há também uma acomodação dos diretores de jornalismo. Antigamente os diretores impunham o seu direito, com profissionalismo. Por isso que fiz trabalhos longos, reportagens de meia hora, uma hora.

RP Online : Como o sr. vê a entrada das novas tecnologias para o cotidiano do jornalismo? Ferramentas como a internet, celular, vieram facilitar ou acomodar o profissional? Hoje em dia não é mais fácil dar a notícia primeiro do que dar melhor?
Saulo : Isso é um grande perigo, né, pois em casos que envolvem segurança e a pessoa quer ser o primeiro a dar a notícia é lamentável. Hoje, especialmente na televisão, a notícia vai ao ar incompleta, não esclarece, o jornalismo tem sido muito mutilado neste aspecto, e há alguns colegas despreparados, e outros que não têm espaço para mostrar o seu trabalho.
Há muita precipitação ao dar a notícia, mas há muitos sites e blogs em que o jornalista faz um trabalho mais detalhado, que busca as informações, e acho que eles vêm para ocupar o lugar que o jornalista investigativo, por não ter chance, deixou abandonado.

RP Online : E hoje, na sua opinião, quais profissionais ainda se destacam no exercício do jornalismo investigativo?
Saulo : Nomes nacionais posso citar Caco Barcellos e Roberto Cabrini, que mostraram competência . O Caco mesmo mostrou seu trabalho em livros, mas acredito que haja também no interior profissionais que tentam furar essa barreira.

RP Online : O sr. foi o primeiro jornalista do país caçado na revolução de 1964. Quanto tempo ficou exilado no Uruguai?
Saulo : Estive sete meses no Uruguai e um ano e meio preso, um total de dois anos e dois meses fora de atividade. Não considero esse tempo de exílio e cadeia perdido, como dizem alguns. Eu só ganhei, pois esta experiência me valeu pelo resto da vida. Depois que saí da cadeia desenvolvi grandes reportagens de denúncias, em política, saúde, serviços públicos, e conseguimos várias vitórias após essas denúncias, o que contrariava o governo. Fui perseguido pelos militares por muito tempo, e em 2008, 44 anos após minha prisão, fui anistiado.

RP Online : O que foi pior, ter ficado preso e exilado, ou ter sido o responsável por anunciar o fim das atividades da TV Tupi?
Saulo : É, realmente foi muito doloroso, muito triste, foi realmente um dos momentos mais tristes da minha vida, não teve jeito, né. (longa pausa....) Com o fechamento da TV Tupi encerramos este ciclo do jornalismo bem feito, vibrante, jornalismo investigativo com responsabilidade. E pensar que eram 93 empresas entre rádio, televisão, jornal e revista que deixaram a marca do jornalismo para sempre...

RP Online : Uma de suas reportagens mais marcantes foi a entrevista com o Chico Xavier, em 1968. Como foi o impacto desta reportagem em um país que na época era predominantemente católico?
Saulo : É, este foi e continua sendo, um dos trabalhos mais relevantes do jornalismo brasileiro. E claro, graças à liberdade que tínhamos de trabalhar na TV Tupi. As pessoas vivem me perguntando se eu lutei tanto para esta entrevista com o Chico Xavier porque eu era espírita, e eu sempre digo: “não, porque sou repórter”. Da mesma maneira, diziam que fui cassado em 1964 porque eu fazia política, mas ao contrário, o que incomodava é que eu cobria política com independência.
Eu percebi que o Chico era uma fonte de notícia e fui atrás. Demorei meses para me aproximar, e quando consegui, tive que deixar bem claro que era um trabalho sério, pois ele estava cansado de como era tratado pela grande mídia.
Teve muita reação e repercussão sim na época, pois o Brasil era apontado como a maior nação católica do mundo. Autoridades do espiritismo no país hoje dizem que a doutrina no Brasil tem o antes e o depois daquela reportagem.

RP Online : Na sua opinião, qual a sua melhor reportagem?
Saulo : Aí fica difícil, pois foram muitas (risos). Mas paralelamente a este trabalho com o Chico, ele me chamou a atenção para o problema de abandono de cerca de 100 pessoas que estavam com a doença do fogo selvagem no hospital de Uberaba. Eu desafiei o governo militar ao colocar no ar o estado de pobreza e abandono desses doentes. Essa reportagem virou campanha, e essa campanha fez inaugurar no país o maior hospital para a cura da doença em Uberaba, MG. Isso é gratificante, pois graças a essa denúncia, as pessoas conseguiram tratamento.
Na área policial, fiz uma reportagem sobre uma moça, a Neide Maia Lopes, que matou uma criança de quatro anos na década de 60. Foi uma das mais importantes da época. O Linha Direta fez um especial sobre isso, tomando por base o meu arquivo. Hoje, a imprensa tem noticiado muito sobre mortes infantis violentas, mas isso sempre existiu, mas não era divulgado nas mesmas proporções. Pois antes as notícias eram muito regionais e havia menos veículos, além do mais, em 1960 o país tinha 60 mil habitantes, hoje são mais de 190 mil.
Crimes como o esquadrão da morte, que começou em dezembro de 1968, resultaram em uma série de reportagens minhas mostrando quem eram os integrantes e como agiam. São várias reportagens, por isso fica difícil escolher uma só.

RP Online : Mudou a forma de cobrir esses crimes hoje?
Saulo : Sim, acredito que hoje os repórteres são apenas seguradores de microfone. Eles não vão investigar, e quando tentam fazer, acabam expondo demais o bandido, e o bandido não pode se sentir a vedete da situação, como costumo dizer, senão os crimes não são resolvidos e os bandidos saem impunes.

RP Online : Como o caso do Lindemberg ?
Saulo : Exatamente. Ali houve uma série de erros, tanto da polícia quanto dos jornalistas.

RP Online : Vamos falar agora dos seus livros?
Saulo : São doi publicados. O Homem que Matou Che Guevara está em sua nona edição, e foi um grande sucesso, pois obras sobre o Che têm centenas por aí, mas eu entrevistei o homem que disparou o tiro.
O outro é O Último Vôo, de 1996, que conta todos os elementos técnicos e humanos e a soma de erros e falhas do sistema aéreo do país, com base no acidente dos Mamonas Assassinas.

RP Online : E qual seu próximo projeto, além de suas memórias, claro.
Saulo : Devo lançar na Feira do Livro um DVD sobre o Chico Xavier que o povo não conheceu. E devo lançar também pela editora Intervidas, um livro que conta em detalhes minha convivência durante 31 anos com o Chico.
Além disso, eu tenho um vasto material que rende vários livros, mas ainda não tenho editora para publicar. Se alguma editora se interessar, tenho material sobre PC Farias, o Esquadrão da Morte, sobre os 36 dias que passei no Carandirú antes da implosão e outras histórias.

Histórias é o que não vão faltar. Infelizmente a entrevista precisou ser encerrada, e por mais que tenhamos estendido é pouco para relatar uma vida como esta. Mas quem quiser conhecer mais o Saulo Gomes, acesse seu site. A viagem não será perdida e as histórias são inesgotáveis.





terça-feira, 24 de março de 2009

O leitor x A leitora


A Kate Winslet é, na minha modesta opinião, uma das melhores atrizes de sua geração, e porque não dizer a melhor. Venho acompanhando seu trabalho desde Titanic, quando ficou mundialmente conhecida. Assisti vários filmes só porque ela atuava, e em Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças, um marco do cinema contemporâneo, (um filme magnífico que amo de paixão e tiro o chapéu só de lembrar que ele existe), ela está divina.
E ela só é o que é porque procura inovar, se reinventar, e sair do estereótipo hollywoodiano. Mais uma vez ela disse a que veio e este ano foi dela nas premiações mundiais do cinema, e demorou né. Depois de 6 indicações para o Oscar, até que enfim levou a estatueta para casa e ainda disse que Meryl Streep "teria que engolir essa." O seu trabalho em O leitor foi primorozo, de uma extrema delicadeza, e para quem leu o livro ( é claro que li antes de ver o filme, tchããã), pode ( é , lê-se pôde, é que agora a regra mudou né) observar que ela realmente era Hanna Schmitz, até o olhar dela descrito no livro e a frieza de algumas de suas ações, são perfeitamente reconhecidos....

O livro

Do escritor alemão Bernhard Schlink, conta a história de um garoto que passa a ter um caso amoroso com uma mulher 21 anos mais velha, ele tem 15, e ela 36. Todos os dias ele sai da escola e vai até sua casa, e antes de se amarem eles seguem um ritual. Eles se banham, e ele lê para ela algum romance ou peça que esteja estudando. Em determinado momento ela desaparece, e anos mais tarde, quando ele está na faculdade, ele assiste a um julgamento em que ela e outras 6 mulheres que eram carcereiras de um campo de concentração, são acusadas de assassinato. A partir desta história, surgem no relato do livro o sentimento de amor exacerbado que o garoto sente por Hanna, a vergonha, e o sentimento de culpa. Ao descobrir o analfabetismo de Hanna, o que fazia com que ela quisesse ouvir as histórias dele, e não lê-las, o garoto, Michael, não faz nada para ajudá-la, e isso vai perturbá-lo por toda sua vida, assim como a presença de Hanna em todos os aspectos em sua trajetória, como alguém que ele sempre amou, nunca esqueceu, e se sente responsável, de alguma forma.
Magnífico! Nota 10, leitura rápida em 240 páginas, texto enxuto, objetivo e marcante.

O filme

Gente, parece impossível o que vou dizer, mas é o livro. Exatamente! Isso mesmo, o filme é o livro todo em 2 horas de exibição. Até as falas são idênticas, sem tirar nem por, e as respirações são as mesmas. Nunca vi uma adaptação tão fiel ao original. Bárbaro! Merecedor de todas as honrarias.

Beijos

quarta-feira, 18 de março de 2009

O meu mundo é fantástico.....Vicky Cristina EU


É, o blog mudou de nome, porque eu mudei, o ano passou, a ortografia mudou, eu cresci, amadureci (mais????!!!), mudei a idade, o corte de cabelo, a cor do batom, o creme, o body splash ( de melancia a jabuticaba)...mudei alguns conceitos, alguns gostos, alguns gestos, alguns amigos, alguns inimigos...enfim...caminhando e cantando e seguindo a canção, algumas coisas mudaram e outras não.
Minha paixão por livros e filmes continua, meu amor pelo meu marido, família, meus bichos e toda fauna terrestra permanece. Uso o mesmo perfume há 13 anos, a mesma cor e espessura de cabelo desde sempre, só mudo os cortes ( adoro!) o mesmo manequim ( isso é suado, viu!), esmaltes escuros e cremosos ( se não for para a aparecer, melhor não usar nada), o mesmo senso de humor sarcástico e bobo, e a alma anarquista....
Decidi mudar o nome do blog pois tem mais a ver com o que eu escrevo aqui, pois falo de um mundo que é fantástico, o das artes midiáticas, e como ele interage comigo e com minha vida. Achei mais adequado, pois assim o blog não fica tão meu, mas também do mundo fantástico no qual eu vivo....bom, é isso.


Vicky Cristina Barcelona Eu

Para gostar de Vicky Cristina Barcelona tem que gostar de Woody Allen, não tem jeito, e sei bem como tem muita gente que não gosta, ou não entende, sei lá. O que vejo mesmo é essa geração prefere engolir os enlatados norte-americanos de ação ou aquelas comédias românticas bobinhas e sem fundamento. Mas gosto é gosto, e é preciso conhecer um pouco de cinema para apreciar Woody Allen e seu humor refinadíssimo.
Achei que o diretor caiu um pouco só no lugar-comum ao usar o maniqueísmo Vicky Cristina, por isso acrescentei o Eu no subtítulo, pois sou o resultado das duas, não só eu mas várias mulheres. Já fui mais como Cristina, "a que não sabe o que quer mas sabe muito bem o que não quer", como é citado duas vezes no filme. Além disso, ela é livre, sem profissão definida, sem regras, sem datas, sem relógio, está se conhecendo há anos, busca o momento, a paixão, as borboletas no estômago, arriscar-se, querer o coração batendo alto, as mãos tremendo, mas não sabe ao certo com quem, como e até quando vai durar. Quem nunca se sentiu assim?
Já Vicky tem profissão, tem relógio, tem noivo, tem casamento marcado, sabe o que quer da vida, faz mestrado, é organizada, é sensata, certinha.....
Claro que há os dois lados, mas quando via o filme me identificava ora com uma, ora com outra, em cada situação eu teria um tipo de reação. A incerteza da Cristina bate a porta todos os dias, mas também há a segurança da Vicky que nunca me deixa desistir de nada.
O filme é ótimo, leve e profundo ao mesmo tempo, e tem uma pitada de Almodóvar, um colorido bem ao seu estilo, adocicado pelo espanhol principalmente pelas participações de Javier Bardem e Penélope Cruz, que quebram a frieza do inglês e põe mais melodia com a guitarra espanhola tocada magistralmente. E claro, não podia faltar uma cena bizarra quase no fim, quando Vicky leva o tiro acidentalmente, hilário a construção da cena, e Penélope pedindo desculpa....foi o ápice.
Bye bye