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segunda-feira, 19 de maio de 2008

Zélia Gattai deixa grandes obras literárias


A escritora Zélia Gattai Amado, mulher de Jorge Amado e que atualmente ocupava a 23ª cadeira da Academia Brasileira de Letras, morreu na tarde deste sábado (17), aos 91 anos, em Salvador. Gattai estava internada desde o dia 17 do mês passado, quando passou por uma cirurgia de desobstrução do intestino. Além de escritora, Zélia era amante da fotografia, e registrou inúmeros momentos de sua vida ao lado do Jorge Amado, com quem viveu por 56 anos. Confesso que ainda não li nenhuma de suas obras por falta de oportunidade, também....são tantos livros neste mundo e tão pouco tempo. Precisaria viver 100 vidas para ler tudo o que já foi publicado, Às vezes nem isso. Mas já estou providenciando um exemplar de Anarquistas Graças a Deus, seu primeiro livro.

Mas posso dizer com a boca cheia que adoro o Jorge Amado, já li vários livros dele e Capitães da Areia foi o primeiro romance que li, quando eu tinha apenas 12 anos.

Bom, mas como o assunto é a Zélia, listo abaixo todos os seus livros, quem sabe você não se anima e consiga ler primeiro que eu. Beijos, até


Obras de Zélia Gattai


Anarquistas Graças a Deus, 1979 (memórias)

Um Chapéu Para Viagem, 1982 (memórias)

Pássaros Noturnos do Abaeté, 1983

Senhora Dona do Baile, 1984 (memórias)

Reportagem Incompleta, 1987 (memórias)

Jardim de Inverno, 1988 (memórias)

Pipistrelo das Mil Cores, 1989 (literatura infantil)

O Segredo da Rua 18, 1991 (literatura infantil)

Chão de Meninos, 1992 (memórias)

Crônica de Uma Namorada, 1995 (romance)

A Casa do Rio Vermelho, 1999 (memórias)

Cittá di Roma, 2000 (memórias)

Jonas e a Sereia, 2000 (literatura infantil)

Códigos de Família, 2001

Um Baiano Romântico e Sensual, 2002

quinta-feira, 15 de maio de 2008

Um pouco de Sylvia Plath

Olá, amigos.
Uma personalidade que me intriga profundamente é a grande poetisa do século XX , Sylvia Plath, seus textos são ótimos, mas sei que foram escritos a base de um sofrimento incomensurável. Sua trajetória por este planeta foi curta, dura e intensa, e mesmo vivendo atormentada, ela pôde nos deixar textos incríveis e se tornar heroína de muitas mulheres na década de 70.
Ela nasceu em 1932, no Estado de Massachusetts, numa família de origem austríaca. Era muito inteligente. O pai morreu quando ela tinha 8 anos. Se casou com o escritor Ted Hughes, que se tornou a razão de seu tormento e a inspiração para suas poesias amarguradas. Ela o amava e ele a traía constantemente.
Em 1953, tentou se matar. Em 1957, seu marido, publicou The Hawk in the Rain, primeira coletânea de poemas que o tornaria célebre. Em 1962, Hughes encontrou outra mulher e abandonou Sylvia. Em junho, numa casa de campo, em Devon, ela escreveu seus mais belos poemas, que compõem a coletânea Ariel, movida por verdadeiro frenesi. Antes do Natal, solitária, desamparada, mudou-se com os filhos para uma casa em Londres. Na manhã de 11 de fevereiro de 1963, depois de preparar o leite das crianças, escreveu um bilhete e abriu o gás da cozinha.
Para saber mais sobre sua vida, assista ao filme Sylvia, de 2003 com Gwyneth Paltrow. É muito bom, dá para se ter uma idéia de como foi sua vida.
Abaixo, um pouco de seu tormento. Abraços, até a próxima.


Os manequins de Munique

A perfeição é horrível, ela não pode ter filhos.
Fria como o hálito da neve, ela tapa o útero
Onde os teixos inflam como hidras,
A árvore da vida e a árvore da vida.
Desprendendo suas luas, mês após mês,
sem nenhum objetivo.
O jorro de sangue é o jorro do amor,
O sacrifício absoluto.
Quer dizer: mais nenhum ídolo, só eu
Eu e você.
Assim, com sua beleza sulfúrica, com seus
sorrisos
Esses manequins se inclinam esta noite
Em Munique, necrotério entre Roma e Paris,
Nus e carecas em seus casacos de pele,
Pirulitos de laranja com hastes de prata
Insuportáveis, sem cérebro.
A neve pinga seus pedaços de escuridão
Ninguém por perto. Nos hotéis
Mãos vão abrir portas e deixar
Sapatos no chão para uma mão de graxa
Onde dedos largos vão entrar amanhã.
Ah, essas domésticas janelas,
As rendinhas de bebê, as folhas verdes de confeito,
Os alemães dormindo, espessos, no seu insondável desprezo.
E nos ganchos, os telefones pretos
Cintilando
Cintilando e digerindo
A mudez. A neve não tem voz.
Últimas palavras
Não quero um simples caixão, quero um sarcófago
Com rajas de tigre e um rosto em relevo,
Redondo como a lua, para fitar o alto.
Quero estar de olhos neles quando eles chegarem
Furando a mudez de minerais e raízes.
Estou a vê-los — caras de astros remotos, pálidas.
Agora não são nada, não são sequer bebês.
Eu os concebo sem pai nem mãe como os primeiros deuses.
Certamente indagarão se fui importante.
Como fruta me cristalizo e conservo meus dias!
Meu espelho está se embaçando —Uns poucos alentos e ele nada reflete.
As flores e as faces ficam brancas de pano.
Não creio no espírito. Foge como vapor
Em sonhos, pelo furo da boca e dos olhos. Não o detenho.
Nem voltará um dia. É o contrário das coisas.
Elas duram, o lustrozinho íntimo delas
Ainda morno de tanto manuseio. Titilando quase.
Quando as solas dos meus pés resfriarem,
O olho azul da minha turquesa me confortará.
Deixem comigo minhas caçarolas de cobre, deixem meus potes de ruge
Florirem em volta como flores da noite de bom perfume.
Embrulhar-me-ão com bandagens e deporão meu coração
Aos meus pés em lindo pacote.
Eu não reconhecerei eu mesma. Tudo será turvo,
E o resplendor dessas coisinhas, mais doce que a face de Istar.
Sylvia Plath ( 1932-1963).

quarta-feira, 14 de maio de 2008

A cidade dos hereges


Olá, gente!

Faltam 4 páginas para acabar um livro fantástico que estou lendo, e já estou passando a dica, pois vale a pena. Quem gosta do estilo que envolve conflitos religiosos na Idade Média não pode deixar de ler, principalmente porque o livro é super dinâmico, tem apenas 263 páginas e é contado de forma magistral. A língua culta é usada de uma forma tão natural que nem se percebe que o livro se trata do ano de 1347.


A Cidade dos Hereges foi escrito pelo aclamado autor argentino Federico Andahazi, responsável pelo sucesso O anatomista. Para ser sincera nunca tinha lido este autor, mas podem apostar que a partir desse livro ele figurará sempre em minha infinita lista de Livros à Ler.

Nesta história arrebatadora, ele volta à Idade Média para mostrar o lado B do cristianismo. Com maestria, Andahazi escreve uma história envolvente e apaixonante sobre os segredos do Sudário de Turim. O livro foi considerado uma das obras mais polêmicas de 2006.

Com um enredo fascinante, o livro traz a filha de um religioso, Cristine, como protagonista de uma revolta religiosa. A jovem se opunha à vontade do pai de construir uma igreja para seu próprio proveito. Antes de entrar para o convento, vive um tórrido romance com o monge Aurélio, que é muito parecido fisicamente com a imagem que todos tinham de Jesus Cristo. Eles passam meses se correspondendo, e suas cartas se tornam um texto belíssimo que questiona os fundamentos do cristianismo. Enquanto isso, o pai de Cristine busca desesperadamente fabricar um santo sudário para fundar sua igreja.

A luta entre o poder político e o eclesiástico, cada qual com suas estratégias, é mostrada de maneira magistral pelo autor, que torna vísivel a face mais escura da natureza humana. Por trás dos muros dos mosteiros medievais, o que marca as orações noturnas é o sexo, junto com a falsidade que impera entre os religiosos.

Leitura imperdível! Está sem tempo? Sei como é, o grande mal da pós-modernidade....mas tire 15 minutos antes de dormir para conhecer esta história. O que você faz em 15 minutos??? Go ahead.

Boa leitura, depois me contem. Beijos


segunda-feira, 12 de maio de 2008

Feito Brasil

Olá, amigos
Hoje a dica vai ser um pouquinho diferente. Será uma sugestão de cosmético para quem gosta de produtos naturais, que não agridam o meio ambiente e seja sustentável. Conheci ontem em uma reunião de família a linha de banho da marca Feito Brasil. Os produtos seguem um linha parecida com a da Natura, mas sua confeccção é totalmente artesanal, produzidos pela comunidade ribeirinha. Eles usam material reciclado, não testam produtos em animais, só usam matéria-prima vegetal, e os materais são biodegradáveis.
Os produtos são a base de flores, plantas e frutos, têm um cheiro delicioso. Vale a pena. Dê uma conferida no site. Eu amei!
boa segunda, beijos

sexta-feira, 9 de maio de 2008

Arte de amar - Manuel Bandeira

Arte de amar

Se queres sentir a felicidade de amar, esquece a tua alma.
A alma é que estraga o amor.
Só em Deus ela pode encontrar satisfação.
Não noutra alma.

Só em Deus — ou fora do mundo.
As almas são incomunicáveis.
Deixa o teu corpo entender-se com outro corpo.
Porque os corpos se entendem, mas as almas não.


Manuel Bandeira (1886-1968)